O PSD e o Chega chegaram a acordo para que seja formado um governo na Região Autónoma dos Açores, uma situação que acabou por gerar polémica na política nacional.

A antiga líder dos sociais-democratas, Manuela Ferreira Leite, afirma que este acordo representa uma mudança no panorama político português: "Veio desmontar uma estratégia que estava desenhada por António Costa no sentido de não haver nenhuma hipótese de alguém governar no país a não ser o PS juntamente com o Bloco de Esquerda e o PCP".

Para a comentadora da TVI24, este acordo entre PSD e Chega nada tem que ver com aquele que foi formado entre PS, Bloco de Esquerda e PCP em 2015, quando se formou a "Geringonça".

Manuela Ferreira Leite afirma que o problema poderá ter começado quando António Costa rejeitou qualquer tipo de acordo com o PSD: "Traçou uma linha vermelha".

Afirmando que na Assembleia da República estão as pessoas eleitas pelos portugueses, Manuela Ferreira Leite vincou que os parlamentares têm o mesmo estatuto em relação aos seus pares.

Questionada sobre as ideologias do Chega, a comentadora reiterou que nunca votará no partido de André Ventura, mas voltou a relembrar que o deputado "está lá porque foi eleito".

Não temos autoridade moral para excluir André Ventura", disse.

Manuela Ferreira Leite entende que o primeiro-ministro colocou o PSD numa situação insustentável, naquilo que diz ter sido uma tentativa de encurralar o partido de Rui Rio.

António Costa confinou o PSD a uma situação na qual nunca mais poderia vir a exercer funções governativas", reiterou.

Assim, o acordo do PSD com o Chega nos Açores encontra, na ótica de Manuela Ferreira Leite, uma falha no plano de António Costa, mostrando que ainda existem alternativas a uma governação de esquerda em Portugal.

No atual contexto político, a antiga presidente social-democrata afirma que o Bloco de Esquerda e o PCP estão "no bolso" do PS.

A decisão tomada relativamente aos Açores derrubou-lhe a estratégia [a António Costa]", acrescentou.

Voltando ao acordo entre PSD e Chega no arquipélago, Manuela Ferreira Leite afirma que Rui Rio "teve muita coragem", até porque já sabia que iria ser alvo de críticas.

Fez aquilo que é a sobrevivência do partido como partido de poder", apontou.

Comparando novamente este acordo com a "Geringonça", a analista considera que o facto de o acordo entre PSD e Chega ser escrito é "claro e transparente", voltando a cifrar que o acordo só prevê o apoio parlamentar, e não um acordo de governo.