A comentadora da TVI Manuela Ferreira Leite analisou, esta quinta-feira, o congresso Movimento Europa e Liberdade e toda a polémica em torno do evento, considerando que o clima político que tentou limitar as pessoas de exprimir as suas ideias foi criado por António Costa.

Manuela Ferreira Leite diz ter tido “muita dificuldade” em compreender a controvérsia em torno da convenção do Movimento Europa e Liberdade, confessando que a confusão inicial foi tanta que teve mesmo de ir confirmar se “havia ali mais qualquer coisa”.

A comentadora disse ainda que toda essa controvérsia é muito reveladora “do clima político que se vive no país”, explicando que, em Portugal, ou se é “socialista apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP” ou tudo “é perigoso e tudo mete medo”.

Isto não é democracia. (…) não tem o mínimo dos sentidos que haja qualquer tipo de suspeição, de preocupação e de limitação num encontro de pessoas que vão exprimir as suas ideias. Seria muito preocupante se não houvesse um fórum onde as pessoas pudessem exprimir as suas ideias”, explicou.

A simples possibilidade de se limitar a discussão de ideias diferentes é “perigosa” e, para a histórica líder do PSD, a culpa é de António Costa, por ter bloqueado o sistema político.

Não passa pela cabeça do dr. António Costa fazer qualquer tipo de reforma. António Costa perpetua-se no sistema não fazendo nada. E isso, para nós, para o futuro do país, é o que há de mais trágico”, critica.

Para Manuela Ferreira Leite, no sentido oposto, está Rui Rio, que acredita ter mostrado ponto por ponto “aquilo que o país precisa”, em termos económicos. Nesse sentido, a comentadora justifica a insistência de Rio em colocar o PSD ao centro, ao explicar que muitas dessas medidas vão necessitar de votos que a direita, sozinha, não tem.

Outro dos temas em cima da mesa foi o anúncio do subsídio extraordinário para compensar as empresas pelo aumento do salário mínimo nacional. Manuela Ferreira Leite ironizou, frisando que este é um exemplo do Partido Socialista “no seu melhor”.

Algum de nós acha que o salário mínimo não é realmente mínimo e que devia ser superior? Não é desejável que seja superior? Tenho a certeza de que todos achamos. O que temos de fazer é ter um modelo económico e uma forma de tratar os assuntos que crie riqueza. Só quando se cria riqueza é que se pode distribuir. Eu não posso dar o que não tenho”, vincou.

Por isso, considera que, com a atual situação económica que Portugal atravessa, o anúncio do subsídio é “uma fantochada” e uma “ficção” e torna as empresas dependentes do Estado.

Se o Governo quer dar um subsídio, então dê diretamente o subsídio aos trabalhadores, mas não dá. O que ele faz é criar um emaranhado de burocracia que coloca as empresas dependentes do Estado. Empresas dependentes do Estado é bom para o Partido Socialista, mas não serve para nenhuma análise económica”, sublinha.

A comentadora quis ainda falar sobre a decisão do Governo em decretar a requisição civil para travar uma greve dos inspetores do SEF durante o verão, frisando que é “absolutamente inaceitável” que o SEF tenha feito greve num momento tão crítico de retoma económica do país.

Quanto à requisição civil, Ferreira Leite considera que esta só foi necessária porque o ministro Eduardo Cabrita não soube resolver nem tratar deste assunto, ao não resolver eficazmente a polémica em torno.

Tão levianos foram os sindicatos que decidiram uma greve no momento absolutamente inaceitável, como é o ministro ao tomar uma decisão sem perceber em que é que estava a mexer", rematou.