O Governo anunciou, esta quinta-feira, as novas medidas para o combate à pandemia em Portugal, colocando quase todo o país em estado de alerta, mantendo o estado de calamidade em 19 freguesias da região de Lisboa.

Questionada sobre se o vírus põe a nu as desigualdades do país, a comentadora afirmou que, após o período de confinamento, a estrutura social e económica do país “está a vir ao de cima”.

A situação é particularmente gritante nos transportes públicos da zona da Grande Lisboa, onde se multiplicam as imagens de transportes lotados, em hora de ponta. Para a comentadora, não é possível aceitar-se que o que se deve fazer é praticar o distanciamento social, quando a rede de transportes não é adequada.

O Governo anunciou que irá repor até 90% da oferta dos transportes públicos pré-pandemia, na Área Metropolitana de Lisboa.

O Governo propõe-se a reforçar até 90% daquilo que existia. Ou seja, vai-se atingir algo que era menos daquilo que existia antes da pandemia. Portanto, não se promete sequer que venha o mesmo número de veículos. O que se entende do ponto de vista económico”, sublinhou.

Para Ferreira Leite, esta é uma situação que vai afetar com especial gravidade todos aqueles que têm de se deslocar para ir trabalhar, vindos dos arredores de Lisboa e que não têm possibilidade de viajar de outra forma.

A antiga ministra das Finanças afirmou ainda que o setor dos transportes é uma das áreas que deveria ser apoiada pelo governo, para evitar “as situações lamentáveis” de contágio de pessoas que têm de ir trabalhar e que se forem infetadas não têm condições para ficarem em casa isoladas.

Se todas estas pessoas, que não têm condições para serem tratadas em casa, tiverem de ser tratadas nos hospitais, podemos ter aqui uma falha no Serviço Nacional de Saúde em termos de ocupação de camas”, frisou.

Algo que já acontece na região de Lisboa, onde já existem pacientes a serem enviados para hospitais noutras zonas do país.

Manuela Ferreira Leite disse ainda existir uma “divergência grande entre o discurso político e realidade”, que diz não criticar, uma vez que o discurso político não pode ser alarmista. A situação, indica, é particularmente pertinente para países que lutam para “captar turistas”.

Bastante crítica do discurso político, Ferreira Leite apontou que, “uma coisa é ter um discurso otimista, outra coisa é passarmos um discurso que quase que incentiva que façamos uma vida normal”.

Algo que, segundo a comentadora, não é compatível com a atual situação nos transportes.