A antiga ministra das Finanças, Manuela Feirreira Leite, analisou esta quarta-feira a polémica realização da Festa do Avante! em plena pandemia, segundo as regras impostas pela Direção-Geral de Saúde.

Manuela Ferreira Leite admite partilhar “de uma certa incompreensão” do que se tem passado em torno do evento. Para a comentadora da TVI, o facto de se tratar de um partido político com influência na sociedade agrava a situação.

É uma imagem de prepotência e até de arrogância que é um bocadinho insuportável”, afirmou. “Deveria partir das autoridades governamentais intervir no sentido de que a festa não se realizasse.”

Sobre o evento, Manuela Ferreira Leite diz que é preciso questionar: “Das duas uma, ou há risco ou não há risco?”. A resposta de que há risco “é unânime”, de acordo com as autoridades, relembra a antiga ministra das Finanças.

A saúde pública e as pessoas em geral devem ser mais importantes do que qualquer objetivo, seja de que natureza for”, considerou.

Os habitantes e comerciantes do Seixal, habituados à festa, já anunciaram que vão fechar portas de forma a não ter contacto com a habitual multidão que a Festa do Avante! atrai. Esse motivo, considera Manuela Ferreira Leite, comprova que existe um reconhecimento generalizado do risco que o festival representa.

Manuela Feirreira Leite apontou ainda críticas à forma de atuação da DGS em todo o processo.

Se alguém quisesse fazer uma festa para qual precisasse da autorização da DGS, seguramente que essa pessoa teria de apresentar as condições em que ia fazer essa festa”, reparou. “Neste caso, quem fez todos os estudos, análises, projetos, contas e cálculos foi a DGS.”

Para Manuela Ferreira Leite, há ainda uma pergunta que se impõe.

Se alguma coisa correr mal, o que é que acontece? Qual é que é a consequência?”, questionou. “Espero que seja alguma e não se percebe qual é que possa ser.”

A comentadora da TVI deixou ainda duras críticas ao Governo por ter permitido a realização da festa, e acusa o executivo de “conivência” para com os interesses do PCP.

Essas coisas normalmente não se fazem sem um preço e sem uma moeda de troca”, reparou. “O Governo pôs os interesses do partido acima da saúde pública.”

Manifesto pelas "liberdades de educação"

Manuela Ferreira Leite foi uma das várias personalidades portuguesas subscreveram um abaixo-assinado a defender os pais que não queiram que os filhos frequentem as aulas de cidadania.

O manifesto pede que seja respeitada a objeção de consciência na recusa da disciplina de cidadania, que faz parte do ensino básico.

Para a antiga ministra das Finanças, existe uma “obrigação cívica” dos cidadãos de se manifestarem contra tudo aquilo que é “imposto” por “uma unanimidade de opiniões”.

Nós neste momento vivemos sob o signo do politicamente correto”, explicou. “É uma moda. Não faço parte desse grupo e faço parte das pessoas que acham que isto deve ser denunciado.”

Manuela Feirreira Leite vai mais longe e afirma que admitir “unanimidade de opiniões” é algo que “não é próprio de uma democracia”.

Em matérias filosóficas, de cultura, problemas éticos, problemas de costumes, não pode ser imposto a unanimidade de aceitação desses princípios”, explica. “É isso que aqui acontece, por a disciplina ser considerada obrigatória.”