A um dia de terminarem as campanhas para as eleições autárquicas, Manuela Ferreira Leite avançou que não faz um balanço muito positivo.

Não faço um balanço muito alegre, faço um balanço um pouco triste. Primeira nota é que se há coisa que não gosto é que me tomem por tola e penso que todos os portugueses percebem que estamos todos a ser tomados por tolos", começou por explicar a economista, mostrando o desagrado pela campanha que está a ser feita. 

"Sempre tive imensa consideração pelo poder autárquico. É um verdadeiro compromisso local e é um poder autónomo, não tem nada a ver com o Governo", avançou, dizendo que lamenta o facto desta campanha de 2021 ter ficado marcada pelas "promessas" feitas pelo primeiro-ministro, António Costa. 

Está ali como membro do Governo e não como do Partido Socialista", continuou, lembrando que esta atitude não advém apenas do primeiro-ministro mas também por parte de outros membros do Governo.

Plano de Recuperação e Resiliência

Relativamente à bazuca europeia, Manuela Ferreira Leite foi perentória na sua opinião: “Dada a nossa situação económica, quando se diz que se vai fazer tudo e mais alguma coisa, só se pode estar a pensar que se tem dinheiro para isso. E esse dinheiro só pode vir desses fundos da Europa. No entanto, esses fundos têm aplicações específicas e uma das que seguramente não tem são seguramente as estradas, que é o que mais se oferece”, rematou.

Se for com o dinheiro do Orçamento de Estado e não com o da bazuca, aí é que estamos mesmo a mentir com quantos dentes temos na boca. Nós não temos dinheiro para aquilo. Não temos. Temos uma dívida bastante elevada e esse endividamento pode vir a ser bastante sério não daqui a muito tempo”, explicou Ferreira Leite, dizendo que bastará um aumento da inflação para que essa política não possa ser seguida. 


Fecho da refinaria da Galp

A refinaria da Galp de Matosinhos foi um dos assuntos mais abordados durante a campanha eleitoral para as Autárquicas de 2021 e a economista tem uma posição demarcada sobre o assunto.

A Galp é uma empresa que não está nas mãos portuguesas, mas o Estado ainda lá tem 7%. Uma empresa desta dimensão, acha que alguém acredita que tenham sido surpreendidos pelas consequências do fecho da refinaria de Matosinhos?”, questionou, dizendo que caso seja verdade, estaríamos perante um caso de total “incompetência”. “Ou estamos perante um teatro, ou perante uma total incompetência”, reafirmou.