No seu habitual espaço de comentário, na TVI24, Rui Moreira acusou Vasco Lourenço de se achar “dono da liberdade”, pela forma como este geriu o processo em torno do desfile comemorativo do 25 de abril, ao recusar a presença do partido Iniciativa Liberal, alegando questões de saúde pública.

Muitas vezes, as coisas quando começam mal, raramente acabem bem. Este é um caso onde as coisas começaram muito mal. Desde logo com aquilo que foi a posição de Vasco Lourenço acerca desta questão”, começou por dizer.

Também as autoridades de saúde foram alvo de crítica por parte do autarca, que questiona as motivações que levam à tomada de algumas medidas em tempo de pandemia.

Porque é que esta manifestação só pode ter este número de participantes? Porque é que a DGS só aceita estes números de participantes neste desfile quando anteriormente, assistimos a outras manifestações de caráter político onde não houve esta limitação?”, questionou.

Para o comentador esta decisão por parte da DGS entra no pacote de “medidas avulsas” propostas que aceitamos sem que “nos a questionemos”. O autarca lembrou ainda uma outra situação em que existiu a vontade de fazer na Avenida dos Aliados, no Porto, um concerto com Sérgio Godinho, mas também surgiram “um conjunto de problemas insanáveis” que não permitiram o realizar do evento.

Vasco Lourenço quer ser o proprietário da pureza ideológica da revolução de abril. Esta posição dele, note-se, é uma posição que dura há muitos anos. Dura quase desde o 25 de abril”, frisou.

Rui Moreira lembrou ainda o currículo intimamente ligado à revolução do 25 de abril de Vasco Lourenço, sublinhando que, mesmo assim, por muito que Lourenço goste da liberdade, “não pode ficar com a liberdade toda para ele”.

Isto fere todos os que gostam da liberdade", sublinhou.

O autarca recordou ainda um outro momento, aquando da morte de Freitas do Amaral, em que a Associação 25 de abril sentiu a necessidade de redigir um comunicado onde criticava alguns meios de comunicação que creditava Amaral como “um dos pais da democracia”.

Tudo isto é financiado por nós. Tudo isto é financiado pelos portugueses”, frisou.

Rui Moreira criticou ainda as posições, ou a ausência delas, por parte de alguns dos maiores partidos políticos portugueses, particularmente à direita. O autarca criticou a liderança do Partido Social Democrata que “por tudo passa como se nada acontecesse”.

Rui Rio fala em Francisco Sá Carneiro quando lhe convém, mas esquece-se que esse histórico do PSD tomou posições de grande coragem que eu hoje não vejo”, rematou.

No entanto, também os socialistas foram alvo das críticas de Moreira, que diz que o PS ficou "preso de asa por governar com à esquerda".

Outro dos temas escolhidos pelo comentador, foi o aprofundar os problemas financeiros da TAP, que divulgou esta quinta-feira prejuízos recorde, na ordem do 1.300 milhões de euros. Moreira admite que não seria de esperar que a TAP passasse ao lado do impacto económico causado pela pandemia, no entanto, considera que o problema estrutural da companhia aérea já existia.

Nós estamos a usar na TAP recursos que poderiam ser utilizados para salvar inúmeras outras empresas. Está a haver a necessidade absoluta de fazer o downsizing da TAP. Nós estamos a tapar o buraco de uma TAP grande para, no final do dia, ficarmos com uma TAP muito pequenina”, considera.

O presidente da Câmara do Porto confessou não compreender o motivo pelo qual este foi o rumo tomado e questiona se a recapitaliza se tratou de “uma decisão estratégica” ou de uma “decisão ideológica”.

A TAP é um vestígio imperial que pagamos”, explicou.

/ JGR