Foi no espaço de comentário semanal, na TVI24, que Manuela Ferreira Leite disse que a disponibilidade do PS para alterar a lei laboral, dando assim a mão ao PCP, revela que António Costa já está a pensar nas negociações do Orçamento do Estado 2022. 

Considero isso uma situação muito preocupante, porque isso significa que nós estamos num momento desta natureza, a ser empurrados para políticas definidas pelo partido comunista. Isto em troca de quê? Provavelmente da aprovação do orçamento", afirmou. 

O Partido Socialista anunciou na quarta-feira a viabilização do projeto de lei do PCP que prevê limitações aos contratos a prazo e altera o período experimental para combater a precariedade, um dos dez diplomas em debate no Parlamento sobre direitos laborais. Em cima da mesa está ainda o regresso às 35 horas de trabalho semanais e a consagração de 25 dias de férias.

Na ótica de Ferreira Leite, não é possível recuperar emprego "se a situação laboral não é estável" e mesmo não sendo estável teria de ser, no limite, "previsível".

É uma receita para o desastre", considerou. 

Para a comentadora, esta não é a melhor altura para se fazer alterações na lei laboral e vê essa possibilidade como algo "extremamente preocupante". 

Eu considero que é um tipo de processo, vamos ver como acaba, extremamente preocupante. E extremamente preocupante porque acho que há um ponto que ninguém nega e toda a gente tem consciência: é que nós estamos em crise e precisamos de recuperar."

 

Para lhe dizer, com franqueza, não sei o que é que é preferível. Se é haver orçamento, se é haver, em troca disso, situações que claramente nos vão travar o nosso crescimento", reforçou. 

Questionada sobre se o PCP vai ficar satisfeito com a aprovação de apenas uma das oito propostas apresentadas, Ferreira Leite mostrou-se apreensiva com as declarações de Jerónimo de Sousa, por poderem indicar um futura crise política. 

Eu fiquei extremamente preocupada com as últimas afirmações do líder do partido comunista, quando diz que não entra em negociações sem que as suas reivindicações, em relação ao Orçamento de Estado anterior, sejam concretizadas e depois que fazia finca-pé de que estas suas propostas fossem aprovadas. O facto de o ter dito publicamente significa uma de duas: ou já tem a certeza que elas vão ser aprovadas, ou declarou publicamente uma crise política."

Manuela Ferreira Leite falou ainda sobre a importância dos projetos de resolução aprovados no Parlamento e a aposta do país nos painéis solares.

Cláudia Évora