No seu comentário semanal de atualidade política, na 21.ª Hora, Manuela Ferreira Leite garantiu que, para estas eleições legislativas, há dois modelos bem distintos de economia, apresentados pelo PS e pelo PSD. No primeiro caso, o da proposta socialista, "à custa do país estar sem administração pública e serviços”.

O Partido Socialista faz uma campanha no seguinte sentido: contas certas. E não há vez nenhuma em que não fale de diferentes números das contas certas. Falta-lhe só um pequeno pormenor: as contas estão certas porque estavam incertas e a incerteza foi introduzida pelo próprio PS”, esclareceu a comentadora da TVI.

Para Manuela Ferreira Leite, com este Governo há um peso muito grande dos impostos, apenas para de amortizar a dívida, mas descurando os serviços e a administração pública. Apesar disto, ao ritmo a que isto está a ser feito, "os problemas só serão resolvidos daqui a 30 ou 40 anos”.

A ex-ministra da Educação sublinhou ainda que a grande carga fiscal proposta pelo PS vai minar a competitividade do país, porque vai fazer com que os patrões paguem salários mais baixos aos funcionários.

Se nós queremos um país com salários muito baixos, continuemos com esta carga fiscal”, frisou, acrescentando que “um modelo de desenvolvimento baseado em baixos salários é um tipo de modelo que já conhecemos, com um país na miséria. Porque isto não dá crescimento económico”.

Já sobre o aumento dos impostos no governo anterior, Manuela Ferreira Leite afirmou que “estávamos numa situação de bancarrota proporcionada pelo PS, não pelo PSD. A partir de uma certa altura passou a ser exagerada”.

A comentadora da TVI diz que as propostas do PSD visam a diminuição da carga fiscal, “nomeadamente para as empresas”, porque a estrutura produtiva são as PME. "Esta estrutura vive com margens de lucro apertadíssimas. Ao ter uma margem de lucro apertada, não tem solução senão pagar baixos salários", por isso é necessário reduzir, o mais possível, a carga fiscal das empresas.

Manuela Ferreira Leite deixou ainda dois avisos:

"Nós estamos outra vez a cair numa situação grave: as importações voltaram a ser maiores do que as exportações e isso significa que deixámos de ser competitivos” e “este modelo [do atual Governo] que deu, efetivamente, resultado, não tem forma de repetir. Por isso eu desconfio que o aumento de impostos seja por via de acabar com benefícios fiscais e assim aumentar a carga fiscal”.