A convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL) terminou, esta quarta-feira, com Rui Rio a dizer que o PSD não é um partido de direita, mas sim de centro. Para Maria João Avillez, a “obsessão” de Rui Rio em dizer que não é de direita é “quase doentia” e, para a comentadora, o discurso do líder do PSD é uma “quase abdicação da liderança”.

Esta obsessão em dizer que não é direita é quase doentia. Os militantes não gostam, o eleitorado não gosta, não percebe e sente-se confuso. O que eu vi ali foi uma quase abdicação da liderança, como quem diz preferir ir num carrinho atrelado a António Costa”, frisou.

A comentadora da TVI considera que o discurso do presidente do PSD não foi “um discurso feliz” e que acabou por revelar que Rio não tem “a capacidade de liderança que se espera de um líder que tem que ganhar as autárquicas”.  Para um dia conquistar o país, Maria João Avillez sublinha que o presidente do PSD necessita de “federar a direita” e conquistar o eleitorado do centro.

Avillez destacou ainda os maus resultados que o partido tem vindo a demonstrar nas sondagens, considerando que, desde que é liderado por Rui Rio, o PSD está a “anos luz” daquilo que o partido foi e representou no país.

Foi um discurso mau, politicamente frouxo. Há ali uma abdicação de liderança”, reforçou.

No entanto, a escritora afasta a ideia de que o congresso do MEL veio mostrar que a direita está “esvaziada de ideias”, apontando para as intervenções de Cotrim Figueiredo e Rodrigues dos Santos, que, segundo Avillez, se viram “obrigados” a marcar as suas posições para não deixar o espaço combativo apenas para André Ventura.

O Chega deu-lhes uma necessidade de não deixar ao Chega o combate. (…) cada um deu os seus ideais, no sentido de fazer um puzzle e criar um projeto de direita forte. E forte também na sua diversidade (…). O discurso mais inócuo acabou por ser o de Rui Rio”, apontou.

A comentadora da TVI destacou ainda as palavras de Paulo Portas sobre o atual estado do debate político, que adjetivou como “estéril” e incapaz de produzir “algo de interessante”.

Mesmo sem ter discursado, Pedro Passos Coelho acabou por ser um dos mais aplaudidos durante o congresso, deixando no ar a ideia de que uma parte significativa do eleitorado de direita anseia pelo seu regresso. Avillez observou e destacou a forma como o antigo primeiro-ministro arrancou “aplausos espontâneos”, contrastando com o líder do Chega, que tinha “uma claque” presente para aplaudir todas as suas palavras.