Rui Moreira analisou o caso da morte de um cidadão ucraniano nas instalações do SEF que levou, nove meses depois, à demissão de Cristina Gatões, diretora da autoridade. Sobre este caso, o comentador refere que existiu um “conluio para atrasar as coisas”.

A direção do SEF sai sem explicar porquê e tardiamente”, explica, sublinhando que o PS afirma que a senhora do SEF foi afastada tardiamente, mas que deve arcar com as responsabilidades, e que todos os outros partidos querem que Eduardo Cabrita assuma as responsabilidade.

Porém, Rui Moreira adverte que a discussão das responsabilidades não é do maior interesse para o país: “Seria muito preocupante que o ministro saísse e nós achássemos que estaria tudo bem como dantes”.

Infelizmente Portugal, nós já o percebemos, é um país perigoso e é muito perigoso tolerar isso e não fazer nada”, afirma.

 

"Ainda não sabemos qual o serviço público que a TAP vai desempenhar"

Rui Moreira afirmou esta sexta-feira que o processo de reestruturação da TAP vai exigir “muito mais dinheiro” e defendeu que a crise vivida na companhia aérea não é derivada apenas da situação pandémica em que o mundo vive.

O problema da TAP não é um problema que resulta apenas da pandemia. Até ao terceiro trimestre de 2019, a TAP tinha tido um prejuízo de 111 milhões de euros”, afirmou, referindo que no ano passado a transportadora tinha mais 20% de trabalhadores por avião do que as concorrentes.

 

Estamos a tentar valer a uma empresa que já antes da pandemia estava numa situação dramática”, referiu o comentador, sublinhando que, no processo de renacionalização, o Estado decidiu “deitar a mão à empresa com um investimento avaliado na altura em 1.6 mil milhões. O que se verifica é que vai ser preciso muito mais dinheiro”.

Neste momento, afirma Moreira, é preciso ver se a Comissão Europeia e os trabalhadores vão aceitar estes planos. “É preciso ver também quanto isto custa, porque vai custar uma verdadeira fortuna a todos os portugueses”.

Uma fortuna que é mais revoltante para os que estão fora da capital porque, na ótica do comentador, a TAP tem “concentrado a sua operação em Lisboa e esquecendo o resto do país, tendo quase desaparecido de Faro e de Ponta Delgada”.

Em oposição ao plano de reestruturação, Rui Moreira afirma que defendeu uma liquidação ordeira da TAP e, “se fosse caso disso, criar uma nova empresa de bandeira que serve para garantir o interesse estratégico do país naquelas rotas que a aviação privada não opera”.

Sobre se o Governo devia de ter submetido a votação do plano de reestruturação ao parlamento, o comentador esclarece que a votação seria vista como um ato democrático. Até porque o “problema da TAP vai muito para além desta legislatura”.

O primeiro-ministro percebeu rapidamente que os partidos de oposição iam fazer disto uma batalha política e, portanto, preferiu retirar o assunto do parlamento, concentrando-o na esfera de atuação do Executivo”, afirma Rui Moreira.

O comentador defende ainda que está a acontecer uma politização de uma situação muito dramática, afirmando que "ainda não sabemos qual o serviço público que a TAP vai desempenhar".

/ HCL