Manuela Ferreira Leite tem "muita dificuldade em interpretar " a decisão do Reino Unido de retirar Portugal da lista verde de países seguros no que toca à covid-19. A comentadora da TVI considera que esta foi "uma decisão repentina", uma vez que ainda "há oito dias tivemos um evento com equipas inglesas" em Portugal e nessa altura os britânicos não tiveram dúvidas em considerar que o nosso país era seguro, não só para aqui realizarem o jogo como "suficientemente seguro para receber milhares de adeptos ingleses".

Além disso, Manuela Ferreira Leite não quer acreditar que "não tenha havido qualquer tipo de acordo diplomático" entre os países e que o ministro dos Negócios Estrangeiros não tenha exigido qualquer garantia em troca de receber os ingleses em Portugal. 

"Em todos os acordos há duas partes e há riscos divididos, há custos e benefícios. E eu gostava de saber quais os termos do contrato que levou a que nós tivéssemos aceite as duas equipas inglesas", diz. "Se aceitámos isto sem contrapartidas, isso deixa-nos numa situação humilhante. É uma humilhação para Portugal."

"O ministro dos negócios estrangeiros não pode ter sido apanhado desprevenido como nós", afirma Manuela Ferreira Leite , que aguarda as explicações de Augusto Santos Silva: "Isto não se resolve com um tweet."

Não basta que o ministro dos Negócios Estrangeiros diga que é inaceitável, é necessário que tome qualquer tipo de atuação. Ou então, a diplomacia não está a funcionar e não percebo porque é que há um ministro dos Negócios Estrangeiros. Se não há uma explicação, estamos com um ministério sem conteúdo."

Quanto à polémica que envolve os festejos dos Santos Populares, a comentadora da TVI diz que, depois do que aconteceu com as celebrações do Sporting em Lisboa e a Liga dos Campeões no Porto, é muito difícil defender a posição de Fernado Medina, que proibiu todas as festas populares.

"Se for planeado é possível não haver descontrolo, foi o Governo que o disse", argumenta. Por isso a proibição é incongruente. "Ao proibir anula a hipótese de planeamento e abre a porta ao descontrolo."
 

/ MJC