O comentador da TVI Paulo Portas reiterou, este domingo, no Jornal das 8 da TVI, que é preferível haver um acordo de saída do Reino Unido da União Europeia. No espaço de comentário “Global”, o comentador sublinhou a importância política e económica do acordo, mas lembrou também que há “razões de segurança” que justificam a importância de um acordo.

“É tanto verdade que os ingleses precisam da Europa, como é verdade que a Europa precisa do poder nuclear que a Inglaterra mantém.”

Paulo Portas analisou ainda as razões que levaram Theresa May a avançar com a votação do acordo na última semana. “Eu acho que há uma circunstância da política interna inglesa que é o facto de a Inglaterra, contra todo o resto da União Europeia praticamente, e sobretudo contra a Zona Euro, ter crescido muito bem no terceiro trimestre, três vezes mais do que a média da Zona Euro, e o dobro do que Portugal cresceu no terceiro trimestre”, começou por analisar.

Mas, de acordo com o comentador, há também razões de política interna: “O líder trabalhista, que é mais eurocético que a senhora May (é preciso lembrar que a senhora May votou, discretamente, é certo, mas votou ‘remain’). O senhor Corbin, que pode vir a ser primeiro-ministro, deu uma entrevista a um jornal alemão dizendo ‘não há segundo referendo. Isso está decidido’. A senhora May, quando partiu para este desfecho, sabia que tinha de vencer várias etapas. Todas muito difíceis. Primeiro: ter a aprovação do Governo. Segundo: a disputa de liderança no partido conservador, porque há umas dezenas de deputados conservadores que se preparam para votar qualquer acordo demasiado suave. E em terceiro lugar (e este é o ponto mais difícil): tem de obter o voto do Parlamento. Ora, como lhe faltam umas dezenas de deputados conservadores e podem faltar os da Irlanda do Norte, por causa da questão da fronteira da Irlanda do Norte, é óbvio que, só com o apoio de alguns trabalhistas que não queiram correr o risco de ver um eurocético muito de Esquerda à frente do país é que ela poderá ter uma aprovação parlamentar”.

De fora desta análise da questão do Brexit, não ficou a referência à Irlanda do Norte. E Paulo Portas explicou o que está em jogo nesta matéria:  

Como a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido e a República da Irlanda faz parte da União Europeia, só havia duas soluções: ou há uma união aduaneira, em que todo o Reino Unido tem acesso ao mercado interno em certas circunstâncias (e aí não há diferença entre Londres ou Belfast. Estão todos dentro) ou estavam todos fora. O que a Irlanda do Norte não quer é um regime diferente do resto do Reino Unido, porque isso aumenta a pressão para uma reunificação da Irlanda.”

Para Portugal, Portas não tem dúvidas que o melhor é haver acordo. Por causa dos emigrantes a viver no Reino Unido, mas também por razões económicas. “Atendendo a que é um dos nossos principais parceiros comerciais, é evidente que é preferível que as pessoas que estão em Inglaterra com a nossa bandeira mantenham os seus direitos intactos e que nós possamos exportar para Inglaterra sem estar a pagar tarifas especiais”, disse.

“Não queiram ganhar votos à custa de um crescimento que não existe”

Paulo Portas analisou também os últimos números do crescimento da economia portuguesa. E começou com um alerta que tinha feito em comentários anteriores: “Atenção que a Europa está a arrefecer. A conjuntura internacional está a mudar para pior. O terceiro trimestre dos Estados Unidos foi muito bom, se comparado com a Europa, mas foi pior do que o segundo. Na China, revisão de previsões que não são independentes do Governo em baia sucessiva. Zona Euro, com crescimento de 0,2% (tinha sido 0,4%).”

Ora estes sinais de arrefecimento do crescimento replicam-se em Portugal, um país que está dependente da conjuntura externa. De acordo com a expectativa rápida do INE, “nós tínhamos tido um crescimento de 0,4% no primeiro trimestre, 0,6% no segundo trimestre (houve uma revisão) e agora cai para 0,3%”.

O que é que isto quer dizer? (…) Portugal é muito dependente da conjuntura externa. Quando a Europa arrefece, é muito difícil (estando os nossos principais parceiros na Europa – Espanha, França, Alemanha e Reino Unido) nós escaparmos a este vento.”

 

O Instituto Nacional de Estatística e o Ministério das Finanças têm uma espécie de Bimby. E metem lá dentro todas as informações que têm sobre os vários componentes do crescimento: o consumo, o investimento, as exportações… E produzem um número. Eu não acho que esse número seja politicamente manipulável e o indicador que isto dá para a discussão orçamental que ainda aí vem é que é preciso tomar muito cuidado porque nós estamos a crescer menos do que estávamos antes. E eu não me parece que o ano e 2019 apareça como muito luminoso.”

Para o comentador da TVI, estes números são um alerta aos deputados: “Todas as demagogias nos sairão caras. E o eleitorado já é suficientemente maduro para perceber isso. (…) Não queiram ganhar votos à custa de um crescimento que não existe.”

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Como notas da semana, Paulo Portas falou também do aniversário do Príncipe Carlos de Inglaterra e da ideia de Los Angeles derrubar a estátua de Cristóvão Colombo.