A comentadora da TVI Manuela Ferreira Leite teceu, nesta quinta-feira, duras críticas às novas alterações à lei laboral e à proposta do Governo de aumento do salário mínimo nacional em 40 euros, para os 705 euros, descrevendo-a como uma "armadilha" para os portugueses.

Para Ferreira Leite, "não há dúvida nenhuma de que o salário mínimo é baixo e, à medida que o tempo passa, mais baixo vai ficando em termos relativos". Ainda assim, e tal como acontece sempre que é proposto um aumento do salário mínimo nacional, notou, "há sempre empresas que não conseguem pagar" esse aumento.

Face a esta situação, o Governo apresenta "sempre a mesma solução", que passa por ir "buscar dinheiro à Segurança Social", que é "destinado exclusivamente a resolver, ajudar e proteger os trabalhadores em casos de incapacidade de trabalho", apontou a antiga ministra social-democrata.

Ou seja, acrescentou, aumenta-se o salário mínimo dos trabalhadores "à custa deles próprios".

Os trabalhadores caem numa verdadeira armadilha", denunciou.

Na perspetiva de Manuela Ferreira Leite, a solução deve passar pela redução dos impostos e de outro tipo de encargos, como os preços da energia, no sentido de promover a "competitividade" das empresas.

Para a comentadora, a definição do salário mínimo nacional deve ser, por isso, "decorrente da capacidade de as empresas o pagarem" através dos seus lucros. 

Nova legislação laboral "é um panfleto eleitoral"

Questionada sobre as alterações ao Código de Trabalho aprovadas em Assembleia da República, Manuela Ferreira Leite considerou que a nova legislação "é um panfleto eleitoral" que "nada tem a ver com a realidade do país".

Para a comentadora, esta nova lei "é tão inovadora" que já era, aliás, "praticada há muito tempo noutros países", onde o teletrabalho sempre foi uma realidade. 

"Isto não tem nada a ver com dignidade do trabalho", salientou Ferreira Leite, acrescentando que estas alterações poderão vir a trazer mais dificuldades às empresas, que "ponderarão cinco mil vezes antes de colocar um funcionário em teletrabalho".

Manuela Ferreira Leite considerou, aliás, que estas alterações são "pura demagogia, que serve para campanha eleitoral, mas que não serve para o dia a dia".

Beatriz Céu