No seu habitual espaço de comentário, na TVI24, Manuela Ferreira Leite considerou que o Partido Socialista se comporta como se a "administração pública fosse um feudo” que lhe pertence e que há a impressão de que o partido vive com a sensação de que “pode fazer o que bem entende”.

As críticas surgem na sequência das notícias que dão conta de que a Direção de Finanças de Lisboa tem um diretor em regime de substituição há seis anos. Apesar de o diretor em causa ter sido nomeado por um Governo PSD/CDS, a comentadora afirma que “por algum motivo não está a ser substituído”.

A comentadora aponta ainda que a situação se deve ao facto de o Partido Socialista conviver “muito mal com a ideia” dos concursos para a nomeação de cargos dirigentes na administração pública. 

Se não considera em discurso, considera na prática. O Partido Socialista sempre considerou que os cargos são sempre de confiança pessoal dos ministros e dos membros do Governo e que, por isso, devem ser escolhidos pelas pessoas com quem mais diretamente convivem”, afirmou.

A histórica líder social democrata admite, no entanto, que todos os partidos tiveram, ao longo do tempo, “alguma tendência para isso”. A antiga ministra recorda uma lei aprovada no tempo do Governo de Pedro Passos Coelho que criou a CRESAP, instituição independente que tinha o propósito de selecionar os candidatos com base num concurso público para substituir os quadros da administração pública.

Essa lei, sublinha Manuela Ferreira Leite, tem sido contornada pelo Partido Socialista que tem nomeado pessoas para os cargos a título de “substituição” e a título “precário” enquanto não se faz o concurso.

Quem, durante seis meses, mesmo que em título de substituição, desempenhou determinadas funções, é evidente que fica com algo no currículo que o leva a ficar em vantagem perante os restantes”, explicou.

Outro dos temas escolhidos pela comentadora foi o caso do SIRESP. Algo que, no seu entender, merecia uma explicação por parte das autoridades, uma vez que o contrato do Estado com as operadoras está a acabar e, neste momento, reina uma aparente incerteza.

Nós não estamos a falar de um pequeno organismo da administração pública. Nós estamos a falar de um instrumento que se considera fundamental no combate aos fogos, cuja temporada se está a aproximar. É exemplo de que a gestão pública não funciona”, lembrou.

Manuela Ferreira Leite demonstrou espanto pela forma como todo este caso está a ser gerido, sublinhando que não compreende se o que se está a passar se deve a um “descuido” ou a “incompetência ou esquecimento”.

Houve ainda tempo para falar da polémica em torno da participação da Iniciativa Liberal nas cerimónias do 25 de abril, depois de a associação que organiza o evento ter alegado questões de saúde pública para justificar a proibição.

Manuela Ferreira Leite considera que esta é uma reação própria de “uma esquerda muito retrógrada”, porque ainda pensa que o país é o mesmo que era no período revolucionário.

É uma esquerda que acredita que a modernidade são os temas fraturantes, mas a modernidade tem muito mais do que isso. O país evoluiu muito desde o tempo da revolução até hoje”, reforçou.

A comentadora lembrou que essa esquerda não consegue acompanhar as necessidades e os anseios da população e recordou que antes do 25 de abril a emigração era feita por pessoas pobres que fugiam ao serviço militar e à fome, no entanto, hoje, passados mais de 40 anos da revolução, são os jovens que emigram, uma vez que o país é pequeno demais para os seus sonhos.