Manuela Ferreira Leite comentou, esta quarta-feira, no seu espaço de opinião na 21ª Hora da TVI24, que concorda que o Presidente da República vete a Leia de Bases da Saúde até porque, diz, não conseguiu "perceber bem qual a necessidade de se apresentar uma nova Lei de Bases da Saúde".

"Parece-me que [Marcelo Rebelo de Sousa] vai vetar a Lei de Bases da Saúde e penso que faz bem. Uma lei de bases é uma lei de bases. É para durar muitos anos e não é para se mudar cada vez que muda o pensamento ou ideologia de quem está no governo. Nem consigo perceber bem qual foi a necessidade de se apresentar uma nova lei de bases, mas admito que haja ajustamentos a fazer", começou por afirmar.

Para a ex-líder do PSD, "teria sido muito mais importante que este Governo se tivesse dedicado a manter o SNS com alguma vitalidade", até porque considera que o sistema de saúde português está "deteriorado" e prova disso são as "greves por todo o lado, as demissões, dívidas aos fornecedores, listas de espera como nunca vistas". 

"Como é que se tem a irresponsabilidade de passar para a opinião pública a ideia de que é possível responder aos cuidados de saúde que a população portuguesa necessita sem apoio de outros sectores? Não só do privado como das misericórdia", acrescenta Manuela Ferreira Leite, dizendo ainda que "o atual governo, apoiado por ideologia de esquerda pretende terminar e acabar com os privados" no SNS.

Lembrando que, "há 40 anos, a população portuguesa era completamente diferente da atual", a antiga ministra afirmou ainda que o SNS foi criado pelo PSD que, apesar de ter votado contra a Lei das Bases da Saúde há uns anos, é a o partido que se deve a execução dessa lei.

"O PSD pode ter votado contra há uns anos, mas é ao PSD que se deve não a criação de uma lei, mas a execução dessa lei. Foi o PSD que criou o SNS. Foi o PSD que aumentou o número de hospitais, que criou uma rede de centros de saúde, que definiu as carreiras hospitalares, que reduziu de forma drástica a mortalidade infantil. Aplicou, na prática, o melhor sistema de saúde aos portugueses".

Sistema de saúde esse que neste momento "é bom, mas não é suficiente" e que, segundo a comentadora da TVI24, não sobreviverá sem a ajuda de privados. Até porque, "durante quatro anos não houve um único investimento na saúde e as provas estão aí.

"É evidente que o setor privado deve ser regulado e como é que se transmite para a opinião publica ideia de que é possível responder aos cuidados de saúde que a população sem a ajuda dos privados. Não é. Se não é possível, então estruturemos o sistema de forma a que haja outras entidades que o ajudem a fazer. O SNS é bom, mas não é suficiente. Como é que privado e publico se complementam? Haverá sempre setor privado, se não o quiserem utilizar, sim senhor, mas é preciso que o publico quadruplique o investimento. (...) Acho que é de uma enorme responsabilidade de transmissão para a opinião publica de que é possível um serviço de saúde sem outros complementos e a ideia de que são os privados que estão a deteriorar o sistema. O sistema está deteriorado na parte pública. Não há investimentos. Essa é que foi a opção política".

CGD já teve mais de seis auditorias

Manuela Ferreira Leite abordou ainda as auditorias à Caixa Geral de Depósitos e defendeu que nunca negou "a necessidade de qualquer instituição, seja ela qual for, que ela seja escrutinada e que tudo aquilo que está mal seja analisado, publicitado e punido".

"Relativamente à Caixa Geral de Depósitos, não sei quantas auditorias é que já houve à Caixa, mas mais de seis já deve ter havido. Pelo menos de quatro lembro-me eu. O Banco de Portugal sempre esteve dentro da Caixa. A Caixa há muito pouco tempo foi recapitalizada com autorização por parte do BCE para a entrada de dinheiro público na Caixa. Não o fez, com certeza, sem um grande escrutínio interno dentro da Caixa", afirmou.

A ex-líder do PSD considerou ainda que as sucessivas auditorias à CGD fazem com que se descredibilize a instituição e a sua competetividade de um banco que "sempre" defendeu que "seja público". 

"A ideia de que de mês a mês ou de dois em dois meses há uma auditoria à caixa, isso eu acho que é um serviço a que se presta quem quer a privatização da Caixa. A Caixa sempre defendi que seja pública, em todo o caso está em concorrência direta com os outros bancos. Aquilo que mais precisa para a sua credibilidade é do seu prestígio. E estarmos, permanentemente, todos os dias há uma nova auditoria, uma lista de devedores. Nós já conhecemos a lista de devedores há uma data de tempo, mas de repente surge um relatório preliminar de uma pessoa que o descobriu não sei onde e que aparece e mais uma vez torna a haver uma semana ou duas de caixa. A lesão que isto provoca no prestígio e na competitividade da Caixa é de tal forma grave que as pessoas que defendem a privatização da Caixa devem estar muito agradecidas", finalizou.