O problema do Sporting nunca foi Bas Dost.

O holandês começou cedo a mostrar toda a sua qualidade, não só como finalizador, mas também como elemento válido na construção leonina em terrenos mais adiantados.

O melhor ponta de lança da Liga mora em Alvalade. É inequívoco, e tem uma vantagem de dez golos (para Tiquinho Soares) a prová-lo.

Se não bastassem os números, e apesar das dificuldades em impor-se numa seleção holandesa que não o tem como referência, tem conseguido épocas fantásticas. Foi assim no Heerenveen, e depois no Wolfsburgo, embora neste último emblema com alguma irregularidade. Alto, forte no jogo aéreo e extremamente eficaz no remate, será também o finalizador mais completo da Liga.

Tiquinho e Mitroglou serão os outros noves concorrentes a esse rótulo, mas esta época não tiveram grande hipótese de discuti-lo.

São 27 golos em 55 marcados pelos leões no campeonato, uma dependência de 49%. Luta com Messi pela Bota de Ouro, e a este ritmo arrisca-se mesmo a ganhar um troféu que não vem para Portugal desde 2001/02, então conquistado por Mário Jardel. Dependerá, claro, mais do argentino do que de si.

Dost foi um investimento extremamente rentável. Ou melhor, foi O Investimento. O único senão que o acompanha é que, apesar dos golos marcados e da excelente parceria com Gelson, o registo não chegará para o regresso aos títulos. A culpa está longe de ser dos dois.

Jorge Jesus terá no holandês certamente uma das suas referências para voltar a atacar o próximo campeonato. Neste, Dost é já um dos grandes vencedores.

Luís Mateus