Miguel Sousa Tavares analisou, esta segunda-feira, no Jornal das 8 da TVI, o crescente número de casos de Covid-19 no país, numa altura em que o primeiro-ministro, António Costa, endureceu as medidas para conter a pandemia na região de Lisboa e Vale do Tejo. O editor e comentador da TVI considera estranho o “eterno planalto” em que o país se encontra.

Porque é que nós não saímos do planalto? Eu acho que vivemos duas ilusões: primeiro, que a primeira fase de combate ao Covid-19 tinha sido um sucesso. Segundo, que o Serviço Nacional de Saúde tinha testado maravilhosamente essa crise. Eu acho que ambas as coisas não são verdadeiras”, explicou.

Para Sousa Tavares, o verdadeiro sucesso do combate à pandemia em Portugal foi o comportamento dos portugueses que, devido à onda de medo que se gerou, confinaram voluntariamente uma semana antes do decreto do estado de emergência.

Em fevereiro, março e abril, tudo se passou maravilhosamente. Não tivemos explosão de casos porque as pessoas estavam todas em casa”, frisou.

O comentador da TVI sublinhou que o Serviço Nacional de Saúde foi capaz de dar resposta à pandemia “à custa” de todos os serviços: “O Serviço Nacional de Saúde parou para todos o país”.  

Miguel Sousa Tavares teceu ainda duras críticas ao processo de desconfinamento.

Quando desconfinámos, percebeu-se que não havia nenhuma estratégia de saúde nenhuma. Nem para os transportes, nem para os lares, nem para os eventos nem sequer para o uso da máscara.”

Também a diretora-geral de Saúde foi alvo das críticas do comentador, que relembrou os comentários de Graça Freitas sobre o uso de máscara.

Miguel Sousa Tavares recordou a ida de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa a um concerto no Campo Grande, no primeiro dia de desconfinamento. Algo que o editor da TVI acredita ter passado a imagem de que a pandemia já teria passado.

Podem vir criticar os jovens, que lhes vão sempre atirar com o Campo Pequeno à cara. Agora, continuamos a ter maus comportamentos devido a maus exemplos”

Outro dos focos da análise do comentador foi a final da Liga dos Campeões em Lisboa, que considerou ser “uma provocação” ao país, aos lisboetas e aos médicos.

É uma provocação a todos nós que estivemos fechados em casa. Nós arriscamos não conseguir parar a primeira onda e juntá-la com a segunda. E vamos, ininterruptamente, levar com a segunda onda em cima”, afirmou.

TAP em dificuldades

A Associação Comercial do Porto interpôs uma providência cautelar para travar a injeção de capital público na TAP, algo que Sousa Tavares considera ser um “exagero e absurdo”.

Para o comentador a companhia aérea nacional “não tem saída”, uma vez que os acionistas não podem aceitar perder o controlo da empresa. Por sua vez, também o Estado não pode aceitar injetar 1200 milhões e não ficar a mandar na empresa.

Restam duas alternativas: ou deixar a TAP ir à falência, ou nacionaliza-la”, garantiu.

Apesar de também ter sido contra a proposta da TAP que colocava o Porto de parte e contra a privatização da companhia, no entanto, sublinha que a gestão da empresa é agora muito diferente, com uma frota renovada e com novas rotas.

A TAP que existe hoje não tem nada a ver com a TAP de antigamente. Não só tem mais 20 aviões, dois mil funcionários, 30 rotas, como adotou um plano de negócio completamente diferente. Perdeu dinheiro, mas a longo prazo seria mais competitiva”, referiu.

Por esse motivo, admite que a TAP não poderá voltar a “ser uma companhia de bandeira”.