A antiga ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, considerou esta quarta-feira que "Portugal não tem recursos para manter, sozinho, uma empresa de aviação" como a TAP e que "uma nacionalização não chega" para a transportadora.

Questionada sobre a TAP ser a única companhia aérea europeia que necessita de uma reestruturação para receber ajudas estatais, Manuela Ferreira Leite relembrou que a conversa sobre a TAP iniciou-se com os bónus e prémios de desempenho, que foram contestados, e criticou a forma pública como estes foram feitos, uma vez que se trata de uma empresa com prejuízos.

Critico a forma como o Governo criticou os bónus: pública e de forma agressiva", reforçou.

Manuela Ferreira Leite considerou que foi "muito lesivo" para Portugal que fosse transmitido para as instâncias europeias que a TAP estivesse a ser mal gerida.

A discussão na praça pública estava presente das negociações com a União Europeia", relembrou.

Para a antiga ministra das Finanças, antes da pandemia de Covid-19 atingir o setor da aviação, A TAP tinha uma justificação para o prejuízo: "investir para ser mais forte".

Ferreira Leite frisou que a TAP tem também um papel importante no turismo, concluindo que foi da expansão da transportadora que surgiu a necessidade de um novo aeroporto.

"No fundo não sabemos qual é o preço que possa ter uma nacionalização"

Sobre a iminente nacionalização da transportadora aérea portuguesa, a Manuela Ferreira Leite relembrou que o "Governo tentou desprivatizar a empresa, aumentando a sua posição".

A comentadora frisou que "nota-se" que acionista David Neeleman está "muito à vontade" e que isso se deve a "ter algumas garantias".

Ainda assim, a antiga ministra das Finanças considerou que uma nacionalização "não chega" e mostrou "receio que estejamos a transformar a TAP num Novo Banco", no que toca à falta de clareza quanto aos contratos.

O decreto de lei que prevê a nacionalização da TAP já está preparado e pode ser aprovado na quinta-feira em Conselho de Ministros, caso o Governo e os acionistas privados não cheguem a um acordo de última hora.

Rafaela Laja