A propósito da anunciada visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal no final do ano, Paulo Portas defende que, "em globalização, é completamente impossível viver sem a Ásia ou ignorar o papel da China".

No seu comentário no Jornal das 8 desta segunda-feira, disse que há um "preconceito, justificado ou injustificado, que está a crescer nos EUA e na Europa" em relação àquela potência mundial e que esta visita acontece "quando a China está a crescer menos por causa da tensão comercial com EUA e quando a China decidiu contrair e selecionar melhor investimentos que faz fora da China".

Os arrufos entre a Europa e os chineses prendem-se, nomeadamente, com a "propriedade intelectual, acesso a tecnologia e a mercados", mas o ex-ministro defende que não se pode virar as costas à China.

Já Miguel Sousa Tavares, sublinhando que faz p"arte de uma geração que cresceu a ter medo da China", confrontou Paulo Portas com o facto de ter feito parte de um Governo que trouxe investimento chinês para Portugal. Deu o exemplo da REN, que detém "o monopólio de distribuição de energia em Portugal" e com isso lançou a pergunta:  

Não entregámos a uma companhia, entregámos a um país. Quando temos de discutir aumento do preço da eletricidade suponho que é discutido com o embaixador chinês em Lisboa, não propriamente com o presidente da EDP, António Mexia. Se houver um conflito diplomático qualquer, pode [a China] mandar apagar a luz em Portugal?"

Na resposta, Paulo Portas começou por dizer: "É uma boa pergunta, Miguel. Desejo ardentemente que o Miguel Sousa Tavares não seja chamado a governar um país em falência técnica", afirmou, aludindo à época em que Portugal caiu nos braços da ajuda externa. Veja o resto da resposta no vídeo associado a este artigo.