O Papa Francisco lançou esta quarta-feira um apelo à comunidade internacional para que não abandone o Líbano, país que enfrenta atualmente uma das piores crises da sua história, agravada pela recente explosão no porto de Beirute.

“Queridos irmãos e irmãs, um mês depois da tragédia que atingiu a cidade de Beirute, o meu pensamento ainda se dirige ao querido Líbano e à sua população”, disse o Papa na audiência geral realizada hoje, a primeira após seis meses sem manter contacto com os fiéis devido à pandemia do coronavírus.

O Papa convidou os fiéis de todas as confissões religiosas a realizarem na próxima sexta-feira um dia universal de oração e jejum pelo Líbano e anunciou que pretende enviar um representante seu ao país para acompanhar a população.

Ao proferir estas palavras com um apelo à comunidade internacional para apoiar o país e ajudá-lo a sair da grave crise, sem se envolver nas tensões regionais, Francisco empunhava uma bandeira libanesa.

"Como dizia São João Paulo II há trinta anos, num momento crucial da história do país, também hoje repito: ‘Perante as repetidas tragédias que cada um dos habitantes desta terra conhece, tomamos consciência do extremo perigo que ameaça a própria existência do país. O Líbano não pode ser abandonado na sua solidão’”, disse.

O Papa disse ainda que, por mais de cem anos, o Líbano foi um país de esperança e que mesmo durante os períodos mais sombrios de sua história, os libaneses “mantiveram sua fé em Deus e demonstraram a capacidade de fazer da sua terra um lugar de tolerância, respeito e convivência único na região”.

“A afirmação de que o Líbano representa algo mais do que um Estado é profundamente verdadeira: o Líbano é uma mensagem de liberdade, é um exemplo de pluralismo tanto para o Oriente como para o Ocidente", disse Francisco, acrescentando que “para o bem do próprio país, mas também do mundo, não podemos permitir que este património se perca”.

Aos libaneses, o Papa Francisco pede que continuem a ter esperança e a encontrar a força e a energia necessárias para reiniciar.

Aos políticos e líderes religiosos o pontífice argentino apela a “que se envolvam com sinceridade e transparência no trabalho de reconstrução, abandonando os interesses partidários e olhando para o bem comum e o futuro da nação”.

“Em particular, dirijo-me aos habitantes de Beirute, severamente testados pela explosão: coragem, irmãos! A fé e a oração sejam a sua força. Não abandone suas casas e sua herança, não deixe os sonhos de quem acreditou no futuro de um país lindo e próspero cair”, frisou.

O Líbano enfrenta atualmente uma das piores crises da sua história, uma situação que foi agravada no início do mês depois de 2.750 toneladas de nitrato de amónio terem explodido no porto de Beirute, causando mais de 180 mortos, quase 6.000 feridos e perto de 300.000 desalojados.

Entre 1975 e 1990, o Líbano viveu uma guerra civil que terminou com um acordo de partilha de poder no Governo entre as 18 comunidades religiosas presentes no país.

Desde então, a distribuição de lugares no parlamento dificultou a formação de governos e a tomada de decisões para se chegar a acordos.

Após seis meses sem manter contacto com os fiéis devido à pandemia do coronavírus, o Papa Francisco retomou hoje as audiências gerais de quarta-feira, embora apenas para 500 pessoas e sem contacto físico, tendo no momento todas as suas viagens suspensas.

Passaram-se 189 dias desde a última audiência geral com os fiéis na Praça de São Pedro, em 26 de fevereiro, quando começou a emergência em Itália e o Vaticano decidiu adaptar-se às regras que proíbem a aglomeração de pessoas para evitar o contágio.

/ LF