O PCP e o Bloco de Esquerda confrontaram esta quarta-feira o primeiro-ministro, José Sócrates, no Parlamento, com a situação da Qimonda. O chefe do Executivo garantiu que não vai desistir da fábrica de Vila do Conde.

Na interpelação a José Sócrates, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, quis saber se a 22 de Dezembro de 2008, quando anunciou um financiamento de 100 milhões de euros para a Qimonda, o Governo já sabia da situação de insolvência da empresa.

A resposta é «não», duas vezes «não», garantiu o primeiro-ministro. «A conversa com a administração da Qimonda sobre o financiamento da CGD à empresa foi muito anterior à notícia da insolvência», explicou José Sócrates.

Ao secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, José Sócrates, respondeu que só deixará de acreditar quando «nada puder fazer para que a Qimonda subsista». «O meu dever é fazer tudo».

PCP pediu combate ao «lay-off»

Jerónimo de Sousa desafiou também o primeiro-ministro a combater com novas medidas os abusos no «lay-off» de algumas empresas. O dirigente do PCP citou mesmo alguns exemplos concretos de casos de empresas.

José Sócrates garantiu desconhecer a existência de qualquer de abuso, mas defendeu que «a melhor forma de combater qualquer eventual abuso é oferecer uma possibilidade do programa Qualificação-Emprego, que permite aos empresários proporcionar formação com uma ajuda do Estado no pagamento dos salários».

O primeiro-ministro recordou que esta medida inicialmente proposta apenas para a indústria automóvel estava hoje em dia «disponível» para todas as empresas que tenham «uma redução significativa na procura e que se comprometam a não despedir trabalhadores».
Patrícia Pires / Aline Raimundo