A exibidora Medeia Filmes, do produtor Paulo Branco, anunciou esta sexta-feira que vai deixar de explorar o cinema Monumental, em Lisboa, em 2019, justificando que “é impensável” em termos económicos manter o espaço.

Em conferência de imprensa, o exibidor e produtor explicou que a Medeia Filmes deixará de explorar diariamente as quatro salas do cinema Monumental a partir de 20 de fevereiro, mantendo apenas exibição regular aos fins de semana no cineteatro a partir de março.

Paulo Branco justificou a decisão dizendo que “havia condições de exceção para explorar o espaço, mas não era viável continuar”. A intenção dos proprietários do edifício onde se situam os cinemas é manter a atividade cinematográfica depois de remodelar o edifício.

Fonte dos proprietários, a empresa MP Properties, explicou à agência Lusa que o edifício vai ser remodelado – no interior e na fachada -, com as obras a iniciarem-se no segundo semestre de 2019, com a duração de um ano, num investimento de 20 milhões de euros.

O objetivo dos proprietários é manter a valência de cinema no edifício e “encontrar um operador interessado em explorar”, já que Paulo Branco confirmou que a ligação a estas salas de cinemas terminará quando se iniciarem as obras.

Em Lisboa, Paulo Branco manterá apenas a exploração do cinema Nimas, próximo do Monumental, onde reforçará a programação.

Enquanto exibidor, através da Medeia Filmes, Paulo Branco tem ainda programação regular de cinema fora de Lisboa, "na província, onde já há um vazio enorme": Teatro Municipal Campo Alegre e no Rivoli (Porto), no Cinema Charlot (Setúbal), no Centro de Artes e Espetáculos (Figueira da Foz), no Theatro Circo (Braga) e no Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra).

Se fechamos é para fazer melhor, não é para parar", disse Paulo Branco, sublinhando que pretende continuar a mostrar cinematografias de todo o mundo e com "escolhas criteriosas" de realizadores.

Segundo Paulo Branco, por causa desta mudança de exploração no Monumental, quatro trabalhadores saíram da Medeia Filmes.

A 20 de fevereiro, para marcar o fim da atividade regular, Paulo Branco dedicará o dia ao cinema de João César Monteiro.

As quatro salas do cinema Monumental existem num edifício de comércio e escritórios que foi inaugurado em 1993 no mesmo espaço onde antes funcionou o antigo, e icónico na cidade, Cine-Teatro Monumental.

Além do cinema Monumental, Paulo Branco já explorou outros cinemas em Lisboa, entretanto encerrados ou convertidos noutras atividades comerciais: o cinema King fechou em 2013 e na altura Paulo Branco lamentava o desinteresse dos portugueses no ato de ir ao cinema, e o cinema Fonte Nova, encerrado em 2015, onde está hoje a funcionar um ginásio.

Atualmente, em Lisboa só existem três salas de exibição fora dos centros comerciais: o Cinema Ideal, no Chiado, remodelado e reaberto pelo produtor Pedro Borges em 2014, o Cinema Nimas, explorado por Paulo Branco, e o City Alvalade, explorado pelo exibidor Cinema City.

Nos últimos anos, Lisboa viu ainda desaparecer o cinema Londres, encerrado em 2013 por falência da exibidora Socorama e convertido numa loja, e as salas do Saldanha Residence - mesmo em frente ao Monumental -, fechadas em 2015, porque escassez de espectadores.

Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e Audiovisual, o distrito de Lisboa, do qual fazem parte 16 concelhos, é o que engloba mais salas de cinema no país, com 145 ecrãs e cerca de 26.000 lugares.

Este ano, e até novembro, estas 145 salas do distrito de Lisboa registaram em média 24 espectadores por sessão de cinema.