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Sociedade 15 fev, 18:42
Como uma aldeia portuguesa conseguiu escapar a uma epidemia mundial
Enquanto o coronavíus (Covid-19) centra atenções no mundo, a população do Amieiro, em Alijó, recorda que a aldeia resistiu à pneumónica de 1918, também conhecida por gripe espanhola, por estar isolada, rodeada de sete colinas e por ter acendido fogueiras à porta das casas. “Quando se falava em maleitas, toda a gente combinava à mesma hora acenderem uma fogueira ao escurecer, na rua, à porta de cada pessoa. Iam então buscar molhos de mato verde, alecrim, urze, carqueja, rosmaninho e toda a gente fazia a fogueira à mesma hora”, conta Fernando Quintas, antigo ferroviário e presidente de junta, com 74 anos. O Amieiro está localizado no vale do Tua, junto ao rio, e era, na altura, uma terra que quebrava o isolamento com o comboio, que se apanhava na margem oposta, ou então percorrendo a pé ou de burro os 15 quilómetros por um antigo caminho romano até Alijó, no distrito de Vila Real. “Nas aldeias à volta havia pessoas infetadas, mas aqui não houve ninguém, nem houve mortos provocados por essa doença." No fim da Grande Guerra, a pneumónica dizimou dezenas de milhares de vidas, tendo sido, até hoje, a maior pandemia mundial, causando mais mortes que a peste negra ao longo de vários séculos. Segundo informações do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a pneumónica atingiu Portugal em maio de 1918 e, em dois anos, gerou uma crise demográfica grave, perdendo algumas zonas do país cerca de 10% da população. O número oficial de mortos devido à gripe espanhola foi superior a 60 mil.