A economia portuguesa acabou por crescer menos do que aquilo que era a perspetiva do Governo e tudo devido ao desaceleramento das exportações. 

Em 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 2,1% em volume, menos 0,7 pontos percentuais que o observado no ano anterior, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE) em comunicado. Na última estimativa, a de outubro, o Governo previa um crescimento de 2,3% para o conjunto da economia no ano que passou.

"Esta evolução resultou do contributo mais negativo da procura externa líquida, verificando-se uma desaceleração das Exportações de Bens e Serviços mais acentuada que a das Importações de Bens e Serviços, e do contributo positivo menos intenso da procura interna, refletindo o crescimento menos acentuado do Investimento", justifica o INE.

Já no quarto trimestre do ano passado, o PIB, em termos homólogos, aumentou 1,7% em volume no quarto trimestre de 2018 (2,1% no trimestre anterior).

A procura externa líquida apresentou um contributo para a variação homóloga do PIB mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo uma diminuição em volume das exportações de bens. Em sentido contrário, o contributo positivo da procura interna aumentou, em resultado da aceleração do Investimento e do consumo privado", diz 

Comparativamente com o terceiro trimestre de 2018, o PIB aumentou, em termos reais, 0,4% (0,3% no trimestre anterior). O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB foi menos negativo, enquanto o contributo positivo da procura interna se manteve positivo mas inferior ao observado no terceiro trimestre.

Na reação, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse que parte do não cumprimento da meta, por via do desacelerar das exportações, se deve à greve dos estivadores. 

Em comunicado o ministério de Mário Centeno, refere que "o crescimento do PIB) em 2018 mantem trajetória de convergência com a Europa."

E justifica a desaceleração das exportações com "o contexto de maior incerteza geopolítica" que tem "um impacto no menor crescimento das maiores economias da Europa, o que tem penalizado a procura externa e, por essa via, as exportações, que, mesmo assim, cresceram 5,3%, em termos nominais."

Acrescentado que, "não obstante as dificuldades colocadas pela deterioração do ambiente económico externo, a economia portuguesa construiu, entretanto, bases sólidas para continuar a crescer e a convergir com a Europa no futuro."

E termina a por a tónica no " crescimento expressivo do investimento ao longo dos últimos anos, a estabilização do setor financeiro, o reequilíbrio das contas externas e os progressos alcançados na consolidação estrutural das contas públicas constituem pilares sólidos para o crescimento económico nos próximos anos."