É já um caso de estudo: mais do que recuperar da queda provocada pela pandemia de covid-19 – e lembrando que foi lá que tudo começou – a China destaca-se e a economia está a crescer em contraciclo com o resto do mundo.

Segundo dados do Gabinete Nacional de Estatísticas da China, no terceiro trimestre deste ano, a economia do país cresceu 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Este, não só é um valor que as analistas “destacam pela positiva”, como supera já o crescimento de 3,2% registado no trimestre anterior e “está em linha com as previsões”.

Para a história fica a contração registada no primeiro trimestre, o pior desempenho da economia chinesa desde 1970. Entre janeiro e março, o Produto Interno Bruto (PIB) do país contraiu 6,8%, reflexo das medidas que Pequim tomou para fazer face à pandemia, como o encerramento de fábricas e estabelecimentos comerciais.

Nessa altura, o país ficou praticamente isolado. De acordo com os dados oficiais, mais de 50 milhões de pessoas suspenderam as suas viagens.

“Tratamento de choque” para conter a pandemia

Segundo os economistas, esta recuperação só está a ser possível “porque o país, quando reconheceu a gravidade da pandemia no final de janeiro, agiu de imediato”.

Recorde-se que a China foi o primeiro país a decretar medidas restritivas, enquanto lutava contra o aparecimento de novas infeções, mas também foi o primeiro a levantá-las, logo em março.

Na altura, o Partido Comunista chegou a falar em "vitória" no combate à doença e, desde logo, a economia começou a mexer. As fábricas voltaram a laborar e viram a procura pelos seus produtos aumentar, assente numa nova realidade: houve um grande procura a nível mundial por máscaras, ventiladores e outros equipamentos. Isto fez com que as vendas a retalho voltassem aos níveis pré-pandemia.

Neste momento, o Gabinete destaca que a economia “registou uma recuperação estável”, mas destaca que o mundo vive um contexto “complexo e grave”.

Maior economia do mundo “em apuros”

O governo chinês alerta, mas os números falam por si: em termos homólogos, no segundo trimestre, a economia norte-americana registou uma contração histórica de 32,9%, a queda mais elevada desde o início da série, em 1947.

Mesmo assim, os analistas antecipavam uma queda ainda maior, na ordem dos 34%.

Economia da Zona Euro também ‘em maus lençóis’

Por cá, os dados divulgados pelo Eurostat no mês de setembro, dão conta de uma queda do PIB de 11,8% na Zona Euro e de 11,4% na União Europeia, face aos primeiros três meses do ano.

Portugal está entre os países mais castigados pela crise pandémica, lado a lado com Espanha, Croácia, Hungria e Grécia.

No trimestre do confinamento e do Estado de Emergência, a economia portuguesa sofreu uma contração de 16,5% em comparação com o segundo trimestre de 2019. Face ao primeiro trimestre deste ano a quebra foi de 14,1%.

Já os países que registaram menos impacto no PIB durante o segundo trimestre foram a Finlândia, a Lituânia e a Estónia.

No conjunto, de acordo com as previsões mais recentes feitas pelo Fundo Monetário Internacional, o PIB da zona euro deverá cair 8,3% em 2020, mas recuperar e subir 5,2% em 2021. Mais pessimista, a OCDE estima uma contração de 11,5% já este ano.

O FMI prevê ainda que a economia norte-americana sofra uma contração de 5,8% no conjunto do ano.

Lara Ferin