O crescimento da economia portuguesa abrandou entre julho e setembro, tanto na comparação com o mesmo período do ano passado como com o trimestre anterior deste ano.

Segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística, em termos homólogos, o Produto Interno Bruto aumentou 2,1% em volume (2,5% no terceiro trimestre de 2017). Um desaceleramento provocado pelo facto de os portugueses terem posto o pé no travão do consumo.

A procura interna registou um contributo menos positivo, em resultado da desaceleração do consumo privado, uma vez que o Investimento apresentou um crescimento ligeiramente mais acentuado. A procura externa líquida apresentou um contributo negativo idêntico ao observado nos dois trimestres anteriores".

Em cadeia, o PIB aumentou 0,3%, quando entre abril e junho tinha subido mais, 0,6%. Ou seja, também nesta comparação houve uma perda de ritmo na criação de riqueza em Portugal. E, aqui, é de realçar a queda nas exportações, consideradas motor da economia.

O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou de nulo a negativo, refletindo uma diminuição das Exportações de Bens e Serviços mais intensa que a das Importações de Bens e Serviços. O contributo positivo da procura interna aumentou no 3º trimestre, traduzindo o crescimento mais elevado do consumo privado e do Investimento"

Os analistas consultados pela Lusa estavam mais otimistas do que o INE, projetando um crescimento de 0,5% em cadeia e 2,3% em termos homólogos. Montepio e XTB ainda mais (2,4%), em termos homólogos.

Reação do Governo

O ministério das Finanças também faz notar o "abrandamento" da economia, em nota enviada às redações, mas sublinha que "mantém a tendência de convergência com a União Europeia e a zona euro (ver abaixo). E prefere realçar a dinâmica do mercado de trabalho e do investimento.

"O padrão de crescimento face ao período homólogo continuou marcado por uma forte dinâmica de criação de emprego (aumento de 2,1%, com 100 mil novos empregos) e de redução do desemprego (redução de 1,75 p.p. da taxa de desemprego, menos 91 mil desempregados)", começa por assinalar o ministério liderado por Mário Centeno. 

Realça-se ainda uma aceleração ligeira do crescimento do investimento. Este é o décimo oitavo trimestre consecutivo de crescimento da economia portuguesa. Este crescimento ocorre num contexto de equilíbrio das contas externas e de consolidação orçamental. Este é o caminho que garante maior resiliência da economia portuguesa e permite continuar a assegurar as funções do Estado de forma continuada".

Também o primeiro-ministro salientou, a partir de Leiria, que Portugal cresceu no terceiro trimestre deste ano a um ritmo superior à média europeia e da zona euro.

Desde que aderimos ao euro, isto nunca tinha acontecido, a não ser o ano passado, em 2017, e está a acontecer este ano.".

António costa disse que o país quer continuar este ritmo de crescimento e que, para isso, "temos de continuar este esforço de qualificação dos recursos humanos, que é fundamental para continuarmos a criar emprego".

O Governo prevê que, no conjunto de 2018, a economia portuguesa cresça 2,3%. Em setembro, o FMI alinhou a sua previsão - que era superior, de 2,4% - pela do Governo.

Para 2019, Mário Centeno já assumiu que o PIB poderá afinal aumentar 2,2%, mas garante que o défice vai cair para 0,2% do PIB na mesma.

Já o FMI, quanto ao próximo ano, mostra-se menos otimista do que o executivo liderado por António Costa, mantendo a estimativa de um crescimento de 1,8%, caso não sejam adotadas reformas significativas.

Zona euro e UE também abrandaram

Também as economias da zona euro e da União Europeia viram o seu ritmo de crescimento abrandar, no terceiro trimestre, quer na comparação homóloga quer em cadeia.

Segundo uma estimativa hoje divulgada pelo Eurostat, entre julho e setembro o PIB dos países que partilham a moeda única 1,7% e o da UE 1,9%, face ao mesmo período de 2017 (2,2% e 2,1%, respetivamente).

Na variação em cadeia, as economias avançaram 0,2% na zona euro e 0,3% nos 28 Estados-membros, depois de ter subido 0,4% e 0,5%, respetivamente, entre abril de junho.

Face ao terceiro trimestre de 2017 e entre os países para os quais há dados disponíveis, a Polónia (5,7%), Letónia (5,5%) e Hungria (5,0%) foram os que registaram maiores crescimentos económicos. Itália (0,8%), Alemanha (1,2%) França e Reino Unido (1,5% cada) apresentaram os menores.

Na comparação com o segundo trimestre do ano, entre julho e setembro os PIB da Roménia (1,9%), Polónia (1,7%) e Hungria (1,2%) foram os que mais cresceram. Em sentido oposto, a Lituânia (-0,4%) e Alemanha (-0,2%) viram as suas economias contraírem face ao trimestre anterior.