A economia portuguesa deve crescer entre 1,7 e 2,1% em 2017. E um dos grandes estímulos será a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), vulgarmente designada de investimento. É a previsão do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) a que a TVI teve acesso.

De acordo com a Síntese de Conjunta desta faculdade, para o mês de março, “em relação ao conjunto de 2017, espera-se um crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] no intervalo [1,7% a 2,1%]”.

Esta previsão tem por base um crescimento de cerca de 2% no consumo privado (um pouco mais moderado do que no ano anterior), um crescimento de 0,8% no consumo público (igual ao dos anos anteriores), de 4,5% na FBCF (sustentado nos indicadores da construção) e de 5,5% nas exportações (superior ao do ano anterior, mas abaixo do registado no segundo semestre) e com um crescimento entre 5,5% a 6,5% nas importações.

Para fazer esta análise o ISEG baseou-se nos indicadores já conhecidos para o primeiro trimestre de 2017, com a ressalva da pouca informação disponível.

A síntese dos indicadores relativos a janeiro mostra que o indicador de tendência da atividade global “decresceu ligeiramente em janeiro, mas mantendo um nível relativamente elevado”.

Em concreto, em relação ao final do ano anterior, os indicadores de consumo privado desaceleraram em janeiro, mas os indicadores de investimento terão crescido mais (alguns – consumo de cimento, aquisição de veículos comerciais – também em fevereiro)”, diz a análise do Instituto.

 

Assim, o nível do crescimento da procura interna, ainda que com outra composição, poderá estar a manter-se”, acrescenta o ISEG numa referência clara ao investimento.

Em relação à Procura Externa Líquida (PEL) “registe-se o forte crescimento das exportações (19,6%) e importações (22,3%) em janeiro (bens, valores nominais). Excluindo combustíveis e lubrificantes – num período de subida relevante dos preços do crude - as exportações cresceram 17,1% e as importações 14,6%”.

No âmbito dos serviços, destaque-se a continuação do crescimento da procura turística externa.

O ISEG recorda ainda que, em 2016, o PIB cresceu 1,4%, em volume, contra os 1,6% em 2015. Mas realça que “esta evolução ao longo do ano mostra dois semestres muito diferentes, em valores de crescimento e na sua origem”.

Na primeira metade do ano, ao contrário do esperado, a Procura Interna (PI) desacelerou, devido ao impacto negativo do investimento, mas também ao menor crescimento do consumo privado. Na segunda metade do ano o consumo privado acelerou, mas no terceiro trimestre foi sobretudo a PEL a responsável pelo salto no crescimento.

No quarto trimestre o consumo privado cresceu, em termos homólogos, 3,1%, a variação do investimento voltou a terreno positivo (2,6%) e o crescimento da PI fixou-se em 2,5%. Contudo, as importações voltaram a crescer mais (7,3%) do que as exportações (6,4%) e o contributo da PEL para o crescimento do PIB voltou a ser negativo (-0,5%).

Ainda que com valores de crescimento algo diferentes no futuro, este padrão de crescimento parece ser o mais típico do momento atual da economia portuguesa e o mais expectável para 2017”, conclui o ISEG.

  
Alda Martins