Morreu Diogo Freitas do Amaral. O antigo ministro tinha 78 anos e estava internado nos cuidados intermédios do Hospital da CUF, em Cascais, desde 16 de setembro. No sábado, às 12:00, realiza-se uma missa no Mosteiro dos Jerónimos, pelo bispo auxiliar de Lisboa, seguindo o cortejo fúnebre, às 13:00, para o cemitério da Guia, em Cascais, acrescentou a mesma fonte. 

No final de junho deste ano, Freitas do Amaral lançou o seu terceiro livro de memórias políticas, intitulado "Mais 35 anos de democracia - um percurso singular", que abrange o período entre 1982 e 2017, editado pela Bertrand.

Nessa ocasião, em que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro líder do CDS e candidato nas presidenciais de 1986 recordou o seu "percurso singular" de intervenção política, afirmando que acentuou valores ora de direita ora de esquerda, face às conjunturas, mas sempre "no quadro amplo" da democracia-cristã.

Diogo Freitas do Amaral foi fundador e primeiro presidente do CDS e uma figura incontornável da história da Democracia em Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa considera-o um dos “quatro pais da Democracia” em Portugal.

Freitas do Amaral nasceu a 21 de julho de 1941, na Póvoa de Varzim, e licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Foi um dos fundadores do CDS e o seu primeiro líder, eleito no congresso fundador, após o 25 de Abril.

Dedicou uma longa e intensa vida à política, tendo desempenhado diversos cargos governativos: foi primeiro-ministro interino após a morte de Sá Carneiro, foi vice-primeiro-ministro, duas vezes ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro da Defesa Nacional.

No plano internacional, foi presidente da Assembleia Geral da ONU (1995-96) e da União Europeia das Democracias Cristãs (1981-83).

Um dos momentos que marcou o seu percurso político foi a candidatura às presidenciais de 1986, com o apoio do PSD e do CDS.  Conseguiu 48,8% dos votos na segunda volta, perdendo a eleição para Mário Soares, de quem se tornou amigo.

Presidiu à Comissão Política Nacional do CDS até 1982, e, de novo, entre 1988 e 1991, mas em 1992 decidiu sair do partido.

A decisão mais polémica aconteceu quando integrou o governo socialista de José Sócrates, em 2005, como ministro dos Negócios Estrangeiros. Embora se declarasse independente, a escolha causou polémica.

Em junho, na apresentação de um livro dedicado às suas memórias, “Mais 35 anos de Democracia – Um percurso singular”, que abrange o período entre 1982 e 2017, Freitas do Amaral dizia não se arrepender “de nada” e afirmava que a sua filiação democrata-cristã tinha sido o fator mais marcante do seu percurso político.

Também nessa ocasião, Marcelo Rebelo de Sousa considerou Freitas do Amaral uma “figura estruturante para a democracia portuguesa e para que houvesse direita em Portugal”. Marcelo foi mais longe, afirmando que o fundador do CDS foi “um dos quatro pais da democracia portuguesa” a par de Mário Soares, Álvaro Cunhal e Sá Carneiro.