Não fosse o infortúnio acaso, poderia dizer-se que Rui Rio esperou o dia em que António Costa se teve de resguardar das ações de rua para fazer todas as arruadas a que tinha direito. Se assim fosse, não teria cancelado a quarta arruada do dia por quase sobreposição de agendas.

Mas, comecemos do início. O dia, lá está, começou com um banho de carinho pelas ruas de Bragança onde rio foi recebido na praça da cidade por várias dezenas de apoiantes, mas três destacavam-se.

Maria, Élia e Aduzinda percorreram 60 quilómetros para estar hoje na arruada. São de uma aldeia no Vimioso e juntas fizeram-se ao caminho para ver o doutor.

"[Rui Rio] É o meu ideal. Eu já ando em campanhas eleitorais desde 1975, sempre PSD e nunca virei e não viro. Eu sou uma pessoa que foi prejudicada por Mário Soares. Vim de África, com dois filhos, sem mais nada e fiquei em Carnaxide. Até hoje. Depois vim para aqui. Tinha um comércio em Linda-a-Velha e tive de o fechar, o meu marido reformou-se e vim para aqui e estou aqui", contou à TVI24 Élia Brizo enquanto ao lado as amigas lhe completavam as frases.

O dia começou cedo, mas o ânimo do trio não abrandava. De bandeiras ao vento e a acompanhar os cânticos dos jotas, Maria, Élia e Aduzinda acompanharam a arruada laranja sem nunca abrandar o passo.

"Sabe, sou de uma aldeia aqui ao lado onde os pardais são socialistas. Tenho lá uma vinha, mas meto as bandeiras do PSD e os pardais deixam-me as uvas em paz”, afirmava Aduzinda.

Quase uma hora depois, muitos lápis distribuídos - "ando aqui a distribuir lápis... é de borla", dizia Rio - e muitos beijos, abraços e até autógrafos, a caravana socialista seguiu caminho para um almoço em Mirandela, onde voltou a falar do caso Tancos.

Um, dois, três, foi a conta que Rio fez

Marcadas estavam quatro, mas só três arruadas seguiram nas ruas a norte. Depois de Bragança, foi a vez de Valpaços. Entre as barraquinhas da Feira do Vinho e das Vindimas, Rio foi andando como pôde, parando a cada passo, e abraçado efusivamente por quem queria ver se o líder social democrata era mesmo de carne e osso.

“Onde é que ele anda? Doutor Rui Rio? Aqui está ele… estava a ver que não o via, vejo-o sempre na televisão, sempre na televisão, aqui está ele!”, dizia uma senhora que agitava efusivamente a bandeira laranja.

Volta curta - barracas eram cerca de seis e havia festa no largo -, hora de rumar a novas visitas e à última arruada do dia, com a promessa de que as declarações à imprensa tinham terminado pelo dia.

À hora marcada, o presidente do PSD chegava a Vila Real e a sua pontualidade foi elogiada por quem por ele aguardava na esplanada da pastelaria Gomes: "Pelo menos é pontual, chegou a horas!”

E foi dentro da pastelaria que quebrou pela primeira vez a promessa e afirmou que as costas do adversário não eram da sua "conta" e garantiu não ter nenhum "problema de saúde".

"O diabo seja surdo…", atirou, enquanto que pela sala da pastelaria um apoiante de Rio pedia aos clientes que votassem no líder do PSD para "serem protegidos por Deus" .

 

Saindo pela porta "mais apertada" que podia - "não havia mais nenhuma para não saírem tão apertados?" - Rui Rio voltou à rua e ao carinho do Norte com o qual, confessou, já contava.

 “Estou animado, mas também sei ver que se estivesse em Beja ou em Évora não teria a mobilização que tenho aqui em Bragança ou Vila Real, ou no Porto. No norte é mais fácil, para mim e para o PSD desde a sua fundação”, confessou atrás do pelourinho onde tirou uma foto com os elementos da distrital, na segunda quebra de promessa.

E deixou o recado, que já conseguiu atingir o seu objetivo: o de disputar as eleições "taco a taco com António Costa".

“É hoje notório que a campanha está em crescendo, e se alguns diziam que não acreditavam que o PSD podia ganhar, neste momento é evidente que pode: está tudo em aberto. Eu disse que quando chegassem as eleições, ia estar disputar taco a taco com António Costa, agora está mais ou menos provado de que consegui chegar lá”.

Quando a 6 de outubro, deixou tudo em aberto: “Se dá para ganhar ou não…vamos ver”.