Numa extensa publicação partilhada no Facebook, Nuno Melo criticou o"estado geral do partido". O eurodeputado do CDS-PP garante que "dentro de dias" dará a conhecer "publicamente esta decisão".

Quando o partido se encontra débil, o risco é grande nos combates legislativos. Fazer de conta que os factos não são os que os números revelam, não só não resolve os nossos problemas estratégicos estruturais, como evita que os superemos com coragem", pode ler-se na publicação do eurodeputado do CDS.

Nuno Melo revela ainda que no próximo congresso do vai apresentar uma "Moção de Estratégia Global" e que esta decisão não se prende com o resultado das eleições autárquicas.

No entanto, o eurodeputado do CDS-PP lembra que o partido viu, no que se refere a candidaturas própria, a "representatividade de 134 mil votos em 2017" passar para "apenas 74 mil" nas últimas eleições autárquicas.

Nuno Melo confessa-se ainda "preocupado" que as "votações estarem infelizmente abaixo do Chega e quase a par da Iniciativa Liberal"

Igualmente preocupante é perceber que, na esmagadora maioria dos casos, esta redução de votos e percentagens do CDS beneficia o partido Chega - e às vezes a Iniciativa Liberal - que está à nossa frente onde diretamente comparamos marca, símbolo e discurso", refere Nuno Melo.

Para o eurodeputado, com “exceção feita às autarquias que o CDS já detinha há anos por si e às coligações com o PSD”, o partido não pode aceitar nem desvalorizar “que as novas forças políticas à direita ocupem a relevância” que “coube sempre” aos centristas.

Sendo que uma coisa serão coligações com o PSD casuisticamente justificadas, sem apagar o CDS na sua capacidade própria e outra, a generalização de coligações que podem esconder o estado real do Partido, enquanto outras forças políticas se consolidam, mas nos relegam para uma posição de fraqueza, no exato momento em que nós também tínhamos - ou tenhamos - de nos bater sozinhos em disputas eleitorais”, afirma.

Em julho, Nuno Melo indicou que iria apresentar uma moção no próximo congresso do partido, tendo então já explicado à Lusa que esta decisão não dependeria do resultado das autárquicas, uma vez que estas eleições não permitiriam perceber o estado geral do partido dadas as coligações.

Nuno Mandeiro