O PSD pediu esta sexta-feira uma audição urgente do diretor clínico demissionário do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, do Sindicato Independente dos Médicos, da Ordem dos Médicos e de um conjunto de outras entidades.

O grupo parlamentar dos sociais-democratas entregou na Assembleia da República “um requerimento em que pede a audição, com caráter de urgência, de Nuno José Fernandes Pinto Fachada, diretor clínico do Centro Hospitalar de Setúbal, do Sindicato Independente dos Médicos e da Federação Nacional dos Médicos, da Ordem dos Médicos, do conselho de administração do Centro Hospitalar de Setúbal e do conselho diretivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a propósito da situação no Centro Hospitalar de Setúbal”, informou o PSD em comunicado.

O diretor clínico do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, apresentou na quinta-feira a demissão do cargo, justificando a decisão com a falta de condições do hospital.

No requerimento, o PSD refere que “há muito que o Centro Hospitalar de Setúbal se defronta com graves problemas decorrentes de uma crescente escassez de profissionais de saúde e, bem assim, da desadequação das atuais instalações do Hospital de São Bernardo”, acrescentando que o Governo se tem revelado “incapaz de dar resposta efetiva aos referidos problemas”.

Os deputados sociais-democratas afirmam que “não surpreende, assim, que esta falta de condições que se verificam” no centro hospitalar “tenham levado o seu até agora diretor […] a apresentar a sua demissão”.

Numa informação enviada por Nuno Fachada aos colegas, a que a Lusa teve acesso na quinta-feira, o médico alegou um conjunto de dificuldades no centro hospitalar como justificação para a sua saída.

A “situação de rotura e agravamento nas urgências médicas, obstétrica, EEMI [Equipa de Emergência Médica Intra-Hospitalar]”, assim como “dificuldades noutras escalas como a pediátrica, cirúrgica, via verde AVC, urgências internas, etc”, são algumas das razões apontadas pelo diretor demissionário.

A mesma informação refere também a “falta de condições de atratividade dos médicos”, “insuficiência ou não abertura de vagas sinalizadas”, “dezenas de cortes mensais de salas operatórias” e “rotura em vários serviços por êxodo” de profissionais de várias especialidades.

Nuno Fachada justifica ainda a demissão com a “não resposta sobre a requalificação e financiamento do CHS [Centro Hospitalar de Setúbal] para grupo D”, “afastamento e colapso dos cuidados primários de saúde, agravando as dificuldades dos doentes”, assim como “incertezas quando ao ecletismo, adaptação e capacidade das obras das urgências”.

“Assim, só restaria a solução de romper com a situação vigente. Romper com a aceitação de continuarmos a ver o estertor do SNS [Serviço Nacional de Saúde], capturado por uma estrutura burocrática pesadíssima e crescente, que asfixia e parasita aquilo que melhor foi feito nas últimas quatro décadas e que tornou Portugal num país avançado, longe das altas taxas de mortalidade infantil e da baixa esperança média de vida”, salienta o diretor num ‘email’ institucional enviado aos colegas.

 

Reagindo à demissão, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, pediu hoje ao Governo que encare a demissão de Nuno Fachada como “um grito de alerta” e resolva os problemas da unidade.

Agência Lusa / BMA