O PSD anunciou esta quarta-feira 100 candidatos às eleições autárquicas, 77 dos quais são recandidatos a presidentes de Câmara, como Carlos Carreiras em Cascais, Ricardo Rio em Braga, Salvador Malheiro em Ovar, Ribau Esteves em Aveiro ou Almeida Henriques em Viseu.

São presidentes de câmara que se podem recandidatar na hora e momento que desejarem porque têm homologação garantida da direção nacional”, anunciou o secretário-geral e coordenador autárquico nacional do PSD, José Silvano, em conferência de imprensa na sede nacional do partido.

Foram ainda anunciados 23 novos candidatos autárquicos, entre os quais o ex-líder da distrital de Setúbal Bruno Vitorino que agora concorre ao Barreiro ou Nuno Matias para Almada.

Entre estes novos candidatos não estão Carlos Moedas, candidato por Lisboa, e Fernando Negrão, por Setúbal, porque, esclareceu José Silvano, já tinham sido homologados e, inclusive, apresentados.

O anúncio foi feito por José Silvano numa conferência de imprensa onde foi também apresentado o slogan do partido para essas eleições: “Nas mãos de todos”.

O PSD dividiu a apresentação dos candidatos entre 77 nomes de atuais presidentes de câmara em exercício que se recandidatam aos mesmos municípios e 23 nomes homologados às próximas autárquicas, dos quais alguns (como Bruno Vitorino ou Paulo Ribeiro) já foram candidatos às câmaras a que se apresentam, mas onde o PSD não venceu.

José Silvano assumiu que todos os candidatos autárquicos do PSD serão conhecidos até 31 de março e assegurou que, dos 308 processos, apenas “em menos de uma dezena” haverá discordância entre as estruturas locais ou regionais e a direção nacional.

Um destes casos assumidos foi o de Coimbra, em que a concelhia e distrital indicaram o ex-deputado Nuno Freitas, candidato que a comissão autárquica considerou não ter “condições objetivas” para derrotar o PS.

No entanto, ainda não foi homologado pela direção o nome que tem sido avançado como candidato a apoiar pelo PSD, o independente e ex-bastonário da Ordem dos Médicos José Manuel Silva.

Questionado sobre a possibilidade de o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes ser candidato a Sintra, José Silvano não se quis comprometer com a sua candidatura nem a este nem a qualquer município, dizendo ser necessário aguardar pelas indicações das concelhias.

Entre os recandidatos, além de dois críticos da atual direção de Rui Rio - Carlos Carreiras (Cascais) e Almeida Henriques (Viseu), voltam a concorrer pelos sociais-democratas nas câmaras que atualmente dirigem nomes como Emídio Sousa por Santa Maria da Feira, Hernâni Dias por Bragança, Rogério Bacalhau por Faro, Hélder Silva (presidente dos Autarcas Sociais-Democratas) por Mafra ou Ricardo Gonçalves por Santarém, numa lista que totaliza 77 nomes.

Entre os novos candidatos, além do antigo deputado Bruno Vitorino, outro crítico da atual direção, um outro antigo parlamentar concorrerá a Palmela, Paulo Ribeiro, enquanto os candidatos do PSD a Loures e a Guimarães serão Nelson Baptista e Bruno Fernandes, respetivamente.

Na conferência de imprensa, José Silvano fez questão de salientar que a comissão nacional autárquica - a que preside - começou a trabalhar há cerca de um ano “sem foguetório” e imune “ao que se dizia na comunicação social”.

Nas próximas semanas continuaremos este trabalho, de maneira a que, no dia 31 de março, prazo sempre estimulado por nós, terá esse processo de candidaturas concluído”, afirmou.

Silvano garantiu, por outro lado, que a comissão autárquica não tem feito “um trabalho passivo”.

Não nos temos remetido ao papel burocrático de receber candidaturas das concelhias e distritais sem ter um juízo crítico nalgumas situações sobre a valia eleitoral dos candidatos”, disse.

O secretário-geral justificou que “quando necessário” esta estrutura assumiu e assumirá a responsabilidade de rejeitar nomes indicados pelas estruturas locais.

Nunca faremos o papel de uma comissão autárquica que se limita a pôr uma assinatura de homologação para levar aos órgãos nacionais. Assumimos a responsabilidade deste processo eleitoral e, se somos responsáveis, temos a última palavra”, garantiu.

O coordenador autárquico acrescentou que a comissão assumirá “responsabilidade pública” pelos resultados das suas escolhas, “com todas as consequências possíveis”.

“Se o partido é responsável na noite eleitoral pelo resultado, então o partido tem de ter também a sua responsabilidade na escolha dos respetivos candidatos”, frisou.

Dos atuais 98 presidentes de câmara do PSD, 13 não podem recandidatar-se devido à limitação de mandatos. Nos restantes oito casos, ou os autarcas manifestaram intenção de não se recandidatar ou o processo ainda não está fechado, explicou, também, José Silvano.

/ JGR