O antigo líder do Governo dos Açores Carlos César, atual presidente do PS, escreveu que o PSD/Açores “não merecia" fazer "negociações penosas” com o Chega, a propósito da constituição do futuro executivo açoriano.

“O PSD/Açores não merecia...essas negociações penosas com o Chega! De que falarão à mesma mesa?”, escreveu César numa publicação no Facebook.

 

À PROCURA DOS CAMINHOS DA DEMOCRACIA NOS AÇORES

O PSD, o CDS e o PPM apresentaram-se, em conferência de imprensa...

Publicado por Carlos César em  Terça-feira, 3 de novembro de 2020

 

O líder do governo açoriano entre 1996 e 2012 afirmou que a comunicação dos líderes regionais do PSD, do PPM e do CDS “reconfigura a análise deste processo político, independentemente de se saber se este projeto tem ou não outros apoios no parlamento”.

“PSD, CDS e PPM pretenderam, e conseguiram, alterar o ponto de referência e de partida do desenvolvimento das diligências para a constituição de um governo saído destas eleições regionais”, lê-se na publicação.

O antigo presidente do PS/Açores salienta que tinha já destacado anteriormente o “direito e dever” do PS de “iniciar as diligências para a constituição do governo”, um processo que, entretanto, “já foi iniciado no âmbito daquele projeto”, disse, referindo-se ao acordo de governação apresentado por PSD, CDS e PPM, que assegura 26 deputados no parlamento regional.

“Ao PS continua, porém, reservado o direito e o dever de, não se confirmando no parlamento a maioria para legitimar o projeto dos 26, encetar a seguir as diligências para verificar e esgotar as possibilidades de uma solução alternativa de governo”, acrescentou Carlos César.

Em conferência de imprensa conjunta com Artur Lima, do CDS, e Paulo Estêvão, do PPM, José Manuel Bolieiro, líder do PSD/Açores, anunciou na segunda-feira uma "proposta de governação profundamente autonómica", um "governo dos Açores para os Açores" e com "total respeito e compreensão pela pluralidade representativa do povo".

O presidente do Chega/Açores garantiu apoio parlamentar à solução governativa apresentada por PSD, CDS e PPM, sublinhando que esse apoio é “imprescindível para que haja uma governação sólida, estável e duradoura”. 

Horas depois, o líder nacional do Chega, André Ventura, insistiu que "até o PSD dar luz verde" às exigências do partido, "não há nem haverá" qualquer apoio a uma solução governativa de direita nos Açores. 

O PS venceu as eleições regionais nos Açores, elegendo 25 dos 57 deputados da Assembleia Legislativa Regional, mas um bloco de direita, numa eventual aliança (no executivo ou com acordos parlamentares) entre PSD, CDS-PP, Chega, PPM e Iniciativa Liberal poderá funcionar como alternativa de governação na região, visto que uma junção de todos os parlamentares eleitos por estes partidos dar 29 deputados (o necessário para a maioria absoluta).

A lei indica que o representante da República nomeará o novo presidente do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos" representados no novo parlamento açoriano.

/ AM