O ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa, António Martins Pereira, admitiu, nesta quinta-feira, que recebeu em novembro o coronel Luís Vieira e o major Brazão, mas nunca percebeu qualquer "indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos".

Cumpre-me informar, em abono da minha honra e da verdade dos factos, que efetivamente recebi o Sr. coronel Luís Vieira [diretor da Polícia Judiciária Militar] e o Sr. Major Brazão [porta-voz da Política Judiciária Militar], no meu gabinete, em novembro de 2017”, refere o tenente-general António Martins Pereira, numa declaração escrita, enviada por e-mail à Agência Lusa.

O ex-chefe de gabinete do ministro Azeredo Lopes, que apresentou a demissão a 12 de janeiro deste ano, acrescenta que, “nessa ocasião ou em qualquer outra”, não lhe “foi possível descortinar qualquer facto que indiciasse qualquer irregularidade ou indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos”.

O general adianta também que comunicou hoje, através do seu advogado, ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que está “disponível para ser ouvido, no âmbito deste processo”, sobre aquilo de que tem conhecimento.

Segundo o Expresso, o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), major Vasco Brazão, disse ao juiz de instrução da investigação à recuperação do material militar furtado em Tancos que, no final do ano passado, e já depois de as armas terem sido recuperadas, deu conhecimento ao ministro da Defesa, juntamente com o então diretor daquela polícia, da “encenação montada em conjunto com a GNR de Loulé em torno da recuperação as armas furtadas” do paiol nacional de Tancos.

De acordo o Expresso, que refere fontes do processo, Vasco Brazão garantiu no tribunal que entregou pessoalmente no final do ano passado um memorando com a explicação de toda a operação ao chefe de gabinete de Azeredo Lopes, acrescentando que o tenente-general Martins Pereira contactou telefonicamente o ministro, à frente dos dois militares da PJM, para o informar da situação.

Na declaração enviada à Lusa, o tenente-general Martins Pereira não faz qualquer referência ao memorando que, de acordo com o Expresso, os dois militares da PJM lhe terão entregue.

Martins Pereira foi chefe de gabinete do ministro da Defesa Nacional entre 7 de dezembro de 2015 e 11 de janeiro de 2018 e é, desde 15 de janeiro, o adjunto do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas para o Planeamento e Coordenação.

Em Bruxelas, o ministro da Defesa Nacional negou hoje “categoricamente” que “tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento neste processo”.