António Costa recebeu esta terça-feira o "testemunho" da presidência do Conselho da União Europeia e afirmou que Portugal tem a missão de assegurar uma recuperação "justa, verde e digital".

Agora é tempo de agir para assegurar uma recuperação justa, verde e digital e, para isso, é preciso garantir que os parlamentos nacionais aprovem o aumento dos recursos próprios da União Europeia", disse o primeiro-ministro português, realçando a a necessidade de o Parlamento Europeu aprovar o regulamento do Fundo de Recuperação.

António Costa sublinha que a recuperação assentará em dois pilares: o da transição climática e o da transição digital. Estes, explica, "não devem ser vistos como "um obstáculo, mas como prioridades do desenvolvimento comunitário". "A aprovação da Lei da Clima e o avanço no pacote dos serviços digitais que a comissão decidiu são dois importantes avanços", reitera.

Para enfrentar os desafios impostos por essa missão, António Costa garante que será necessário a União Europeia investir na qualificação para que os pilares sejam sinónimos de "oportunidades para todos".

A presidência portuguesa do Conselho da União Europeia tem ademais o objetivo de aumentar a autonomia estratégia de uma Europa aberta ao mundo, "que se afirma como ator global e que recusa o proteccionismo, abrindo-se ao mundo e desenvolvendo parcerias orientais, com o contingente africano, tal como estreitando laços com as relações transatlânticas com os Estados Unidos e com a América Latina".

Costa dá destaque à cimeira entre a União Europeia e a Índia e realça os avanços nas negociações de acordos comerciais com os países do Indopacíficio, como a Austrália e a Nova Zelândia.

É para nós uma enorme honra ter recebido este testemunho da Chanceler Merkel, até lá temos seis meses de intenso e duro trabalho. É uma verdadeira maratona", remata.

Ao pé do primeiro-ministro e reforçando a distância de segurança, Charles Michel afirma estar "otimista" com a passagem do testemunho para Portugal e reforça o lema português da presidência como emblema de esperança após "um ano brutal".

Temos o Sol e o leme. A pandemia de Covid-19 desmoronou os nossos sistemas e neste momento temos oportunidade para reafirmar as prioridades da presidência da presidência portuguesa, vamos trabalhar permanente e isso requer diálogo, compreensão, capacidades, relações", disse o presidente do Conselho Europeu.

No final do mês de janeiro irá existir uma cimeira dos líderes europeus por vídeoconferência. Lembrando isto, Michel garante que Portugal enfrentará o díficil trabalho de liderar uma Europa fortemente abalada pela pandemia de covid-19. "Ainda não saímos dela, precisamos de nos mobilizar e trabalharmos em conjunto com a Comissão Europeia e com os diferentes governos para todos concretizarmos os esforços necessários".

O primeiro-ministro, António Costa, recebeu esta terça-feira o presidente do Conselho Europeu para uma reunião de trabalho.

Do programa da visita de Charles Michel consta ainda uma breve visita ao Mosteiro dos Jerónimos, local onde foi assinado o Tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia), em 1985, e o espetáculo inaugural da presidência portuguesa, com um concerto da Orquestra Sinfónica Portuguesa, conduzido pela maestrina Joana Carneiro.

A visita do presidente do Conselho Europeu é o primeiro encontro oficial da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.