Foi assim durante 48 anos, na imprensa, nos livros, no cinema, no teatro, na rádio, nos reclames, nem um único dia sem Censura. A Censura foi provavelmente a mais eficaz instituição da ditadura, a PIDE macerava os corpos, a Censura colocava um saco de plástico à volta da nossa cabeça e apertava. A sua eficácia vinha de ser invisível: não se sabia o que cortava, os milhares de notícias e textos anódinos pelos quais perpassava o mais ténue sinal de desrespeito pelas autoridades, do regedor até sua excelência o senhor Presidente do Conselho António de Oliveira Salazar. Muito mais do que subversão, ou a dissidência política ou a oposição, o que contava era a “paz nos espíritos” baseada no princípio de autoridade. Muitos destes cortes cheiravam a mofo, mas era um mofo pegajoso, que atacava os olhos, os ouvidos, a boca, as mãos, para entrar pela cabeça dentro e instalar-se como medo e submissão. 48 anos foi muito tempo. Nem todo o mofo saiu.

(Recortes da Colecção da Censura do ARQUIVO EPHEMERA).

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A TVI24 associa-se à biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira, publicando todos os dias uma imagem inédita dos fundos do arquivo, que estão a ser tratados mas ainda não foram publicados. Essa imagem, que pode ser uma fotografia, um panfleto, um documento, a capa de um livro, um objecto, um autocolante, um pin, um cartaz, um vídeo ou uma gravação será acompanhada por um pequeno texto que complementa a informação do EPHEMERA DIÁRIO. 

Quem possa ter mais documentação ou informações sobre a imagem/tema em causa pode enviar para jppereira@gmail.com ou jrreis@tvi.pt.

Pacheco Pereira