O ministro da Economia, Pedro Siza Veira e o Secretário de Estado adjunto e da Energia, João Galamba, são suspeitos de corrupção e tráfico de influência, confirmou a TVI.

Em causa estão negócios associados ao recente lançamento do projeto nacional do hidrogénio verde, nomeadamente o favorecimento do consórcio EDP/Galp/REN no milionário projeto do hidrogénio verde para Sines, revela a revista Sábado.

Os governantes “estão sob apertada vigilância das autoridades judiciais e policiais porque fazem parte do grupo de alvos principais num inquérito-crime que averigua indícios de tráfico de influência e corrupção, entre outros crimes económico-financeiros”.

De acordo com a revista, o Ministério Público tem outros alvos como António Mexia (EDP), Manso Neto, ex-CEOs da EDP/EDP Renováveis, Carlos Costa Pinta, antigo secretário de Estado do Tesouro e administrador da Galp, e Carlos Martins, chairman da Martifer.

A investigação, que já vai numa fase avançada, nasceu de uma denúncia anónima enviada no ano passado ao Ministério Público (MP), que alertava essencialmente para suspeitas de favorecimento de grupos empresariais, naquele que é o maior projeto industrial do Governo.

Questionado pela TVI, o ministro da Economia afirma que "não tem conhecimento de qualquer investigação a que o seu nome esteja associado".

A Procuradoria Geral da República (PGR) confirma "apenas a existência de um inquérito a correr termos no DCIAP. O mesmo encontra-se em investigação, não tem arguidos constituídos e está em segredo de justiça".

O plano do Governo para o hidrogénio verde em Portugal 

O hidrogénio verde é a aposta do Governo para alcançar os objetivos de descarbonização do país.

A estratégia nacional para o hidrogénio como fonte de energia foi aprovada a 30 de julho em Conselho de Ministros. O Governo prevê a realização de "leilões competitivos para a produção de hidrogénio verde" a injetar nas redes de gás.

A indústria química é o grande cliente do hidrogénio, cuja estratégia prevê um investimento de cerca de sete mil milhões de euros, com a meta de aquele gás representar 5% do consumo final de energia em 2030.

Veja também: o investimento em hidrogénio em debate na TVI24

A investigação do Ministério Público

Quem lidera a investigação criminal aos negócios do hidrogénio é o procurador João Paulo Centeno. Neste momento, o procurador Centeno já terá indícios de terem sido praticados crimes durante os meses em que os membros do Governo estiveram a realizar encontros com pré-candidatos privados aos novos negócios do hidrogénio, revela a Sábado.

Apesar de terem havido um total de 74 manifestações de interesses de empresas, o comité de admissão dos projetos de hidrogénios escolheu apenas 37 ideias para serem avaliadas numa fase seguinte. Estes projetos estão avaliados num total de 9 mil milhões de euros.

Até hoje, não são conhecidas as empresas ou consórcios escolhidos em definitivo pelo Governo para a produção, transporte e comercialização de hidrogénio. No entanto, já se sabe publicamente que existem dois grandes projetos em cima da mesa do Executivo, avaliados em 4 mil milhões de euros.

H2Sines

O projeto H2Sines, que visa implementar um cluster industrial de produção de hidrogénio verde com base em Sines, é um dos dois grandes projetos e está a ser investigado pelo Ministério Público.

A atenção das autoridades está centrada nas relações entre membros do Governo e elementos de grandes empresas privadas do consórcio integrado pela EDP, Galp, REN, Martifer e Vestas: a maior produtora mundial de turbinas de energia eólica.