Depois do adiamento sine die, por parte de Angola, da visita da ministra da Justiça portuguesa ao país, muito se tem especulado sobre as relações entre os dois países, até porque ocorreu dias depois de se saber que o Ministério Público português processou o vice-presidente angolano, Manuel Vicente. Ainda para mais há outra visita, a do primeiro-ministro António Costa, em vista. Ora, o ministro dos Negócios Estrangeiros português garante que essa viagem continua a ser preparada, normalmente.

Augusto Santos Silva assegura que não há nenhum conflito entre Lisboa e Luanda. Há, sim, “muito ruído comunicacional”. A verdade é que o Governo angolano considerou "inamistosa" acusação a Manuel Vicente.

“Não há nenhum conflito pendente em matéria político-diplomática entre Portugal e Angola. Os dois países estão a fazer o seu trabalho, nós apresentámos várias datas possíveis para aquilo que nos parece a próxima iniciativa com sentido, que é a visita do primeiro-ministro português a Angola, e aguardamos serenamente a resposta das autoridades angolanas”, declarou Augusto Santos Silva em Bruxelas, à margem de um Conselho de Negócios Estrangeiros.

As autoridades angolanas acabaram de tornar público que não chamaram o seu embaixador em Lisboa, e que, portanto, o seu embaixador em Lisboa continua em Lisboa. Há também algum ruído comunicacional a propósito de supostas iniciativas das autoridades portuguesas, mas a verdade dos factos é esta e é muito simples: está em curso a preparação da visita do primeiro-ministro António Costa, essa preparação não está interrompida, e essa visita realizar-se-á na data que for mais conveniente, seja para Portugal, seja para Angola”.

“Do ponto de vista das autoridades portuguesas, a preparação dessa visita segue o seu curso normal”, disse, afirmando uma vez mais que “a data mais conveniente para Portugal é a data que for mais conveniente para Angola”.

Na semana passada, Santos Silva disse que o primeiro-ministro está disponível para visitar Angola na primavera, mas admitiu que a visita só se realize depois das eleições gerais angolanas.

O primeiro-ministro, António Costa, já manifestou a vontade de prosseguir a "cooperação política e económica" com Angola, garantindo que a acusação da Justiça portuguesa ao vice-Presidente angolano não afetará a sua amizade para com aquele país.

O chefe do Governo português aproveitou para recordar o "princípio da separação de poderes" que vigora em Portugal, onde as autoridades judiciárias atuam com "total independência" face ao executivo.

/ VC