O partido Chega anunciou hoje que “vai viabilizar o governo de direita nos Açores”, após ter chegado a um acordo com o PSD em “vários assuntos fundamentais” para a Região Autónoma e para o país.

Depois de na quinta-feira ter dito que não viabilizava o governo de coligação de direita nos Açores, em comunicado o Chega anuncia hoje que vai afinal viabilizar uma solução governativa de direita no arquipélago. Essa posição será transmitida esta tarde ao representante da República que está a ouvir os partidos que elegeram deputados para a Assembleia Regional. 

O Chega garante que chegou a acordo com o PSD, designadamente sobre pontos fundamentais para a região autónoma. 

Já o PSD nacional diz que não houve desenvolvimento ou qualquer negociação desde ontem e que aguarda as declaracões do líder do Chega e a posição que o Chega vai transmitir ao representante da República para se pronunciar.

Recorde-se que PSD, CDS e PPM já tinham anunciado um acordo para governação, que só contemplava 26 dos 29 mandatos necessários para governar com maioria nos Açores. Mesmo com o Chega, que tem dois assentos parlamentares, a direita precisaria de mais um deputado, que poderia chegar da Iniciativa Liberal.

PAN recusa solução com Chega

O porta-voz do PAN/Açores, Pedro Neves, reiterou que o partido não viabilizará uma solução governativa na região, que envolva o Chega, dizendo estar disponível para ouvir todos os partidos.

Se o Chega tiver um acordo com a coligação [PSD/CDS/PPM)], nós dizemos não, porque não vamos obviamente normalizar um partido que não respeita a Constituição portuguesa e não respeita os açorianos quando as negociações estão a ser feitas na Assembleia da República”, avançou em declarações aos jornalistas.

O porta-voz do PAN falava à saída de uma audiência com o representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, em Angra do Heroísmo.

A audição do PAN foi a primeira de seis audições que decorrem hoje entre os partidos eleitos nos Açores e o representante da República naquele arquipélago, seguindo-se Iniciativa Liberal, PPM, BE, Chega e CDS-PP.

Graça Picão / BC