O Chega enviou uma exposição à Procuradoria-Geral da República para esclarecer “se houve ou não” negligência na administração da vacina da AstraZeneca em Portugal, a propósito das dúvidas sobre a sua relação com o aparecimento de coágulos sanguíneos.

O Chega enviou ontem à PGR [Procuradoria-Geral da República] uma exposição destes factos, nomeadamente questionando se houve ou não a prática de ilícitos criminais, não só por entidades coletivas, como poderia ser o Infarmed ou outras entidades coletivas que tomaram participação no processo, ou de pessoas singulares, sejam elas governantes ou não, por negligência nos efeitos que se provocaram na saúde publica”, anunciou hoje o deputado único do partido, em declarações aos jornalistas.

André Ventura adiantou que o partido irá enviar também uma exposição à Procuradoria-Geral Europeia “para precisamente dar conta de que o regulador europeu aprovou esta vacina sem estudar a questão do nexo causal entre a produção de coágulos sanguíneos e outras consequências e a administração da vacina”.

O deputado disse ainda não estar em causa “um exercício de ponderação simples”, mas sim “vidas humanas, a integridade física das pessoas”, apontando que existem “outras vacinas disponíveis, apesar de esta ter um cariz social diferente das restantes conforme já foi dito pelo próprio Governo”.

“Nós entendemos que pode haver, não estamos a dizer que há necessariamente, mas pode haver aqui um comportamento de infração criminal que tenha colocado em causa a saúde das pessoas”, sustentou.

O partido quer que seja averiguada a “informação disponível à data", porque é que o Infarmed e o Ministério da Saúde não deixaram "alertas mais severos sobre esta matéria" e quando é que vai existir “uma lista exaustiva das pessoas em Portugal que tomaram esta vacina e que sentiram consequências para a sua saúde”.

Na quarta-feira a Agência Europeia do Medicamento (EMA) divulgou que existe uma “possível relação” entre a vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca e a formação de “casos muito raros” de coágulos sanguíneos, mas insistiu nos benefícios do fármaco face aos riscos de efeitos secundários.

A ministra da Presidência anunciou que a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) farão ainda hoje uma comunicação sobre a utilização da vacina anticoronavirus da AstraZeneca em Portugal.

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