O CDS-PP queria discutir os “problemas reais” do “país real”, mas o debate no parlamento desembocou, esta quarta-feira, naquilo que a deputada Cecília Meireles classificou de “maior golpe de teatro” do Governo, em torno da crise dos professores.

Quando o país precisava de um estadista tivemos um político habilidoso”, afirmou Cecília Meireles, cinco dias depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter anunciado que se demitia caso a contabilização total do tempo de serviço dos professores fosse aprovada em votação final global.

Depois, criticou “a maior carga fiscal de sempre”, a falta de investimento público, as falhas no serviço nacional de saúde, as listas de espera ou o caso das nomeações para o Governo por parte da “família socialistas”, “os novos donos disto tudo”.

Vinte pessoas e cinco famílias correspondem a um padrão”, afirmou Cecília Meireles.

Na pingue-pongue das perguntas e respostas, o tema dos professores foi dominante, com o deputado do PS João Paulo Correia a dizer que a intervenção de Cecília Meireles apenas servira para o CDS “tentar sair da fotografia da irresponsabilidade” que, disse, foi a aprovação, na especialidade, do tempo de serviço dos professores.

O CDS cedeu à pressão eleitoralista”, acusou João Paulo Correia, que depois ouviu, na resposta de Cecília Meireles, que quem mudara de opinião foi o PS que aprovou, no parlamento, um projeto de resolução, em 2017, que recomendava que se contasse “todo o tempo” de serviço dos professores.

Paula Santos, do PCP, acusou o partido liderado por Assunção Cristas de ter mudado o sentido de voto entre quinta-feira, dia da comissão que alterou o decreto-lei do Governo, e o fim de semana, quando anunciou que não aprovaria as mudanças à lei se não fosse aceite a sua proposta de salvaguarda orçamental.

E Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, acusou o executivo de “estar a fazer teatro”, de “manipular os dados”, os partidos de direita de ceder à pressão do Governo e, no fim, perguntou à bancada centrista: “Se sabem que isto é um teatro, porque recuaram?”

Cecília Meireles respondeu com contra-ataque e, sobre submissões, perguntou ao PCP e ao Bloco, que tem dado apoio parlamentar desde 2015 ao Governo, se ainda se lembravam de ter aprovado um Orçamento do Estado que “aprovou 400 milhões de euros para o Novo Banco”.

Os senhores são a geringonça, nós somos a oposição”, disse.