Ementas dos navios Vera Cruz e Niassa, enquanto navios requisitados pelo Exército para o transporte de tropas, durante a Guerra Colonial. O Vera Cruz, de construção belga, pertenceu à Companhia Colonial de Navegação (1922 – 1974) e esteve no activo desde 1952 a 1973. Foi adquirido ao abrigo do célebre Despacho 100 (reorganização da marinha mercante portuguesa, sob a égide de Américo Tomás, então Ministro da Marinha e futuro Presidente da República).

Último navio a entrar ao serviço ao abrigo desse Despacho, em 1955, igualmente de construção belga, o Niassa pertencia à Companhia Nacional de Navegação (1881 - 1985). Esteve no activo até 1978. Os paquetes mais requisitados na ligação a África foram o Vera Cruz, o Niassa, o Lima, o Império e o Uíje. O Niassa foi o primeiro paquete afretado como transporte de tropas e de material de guerra, por portaria de 4 de Março de 1961, mas seria o Vera Cruz a fazer mais viagens, chegando a realizar 13 num ano.

As ementas que aqui reproduzimos dizem respeito a uma viagem de Lisboa a Lourenço Marques, no Vera Cruz, em 1968; e a outra, no Niassa, em 1970, presumivelmente de Lourenço Marques para Lisboa. Como chegaram ao ARQUIVO EPHEMERA (Núcleo de Gastronomia), no mesmo espólio, contam a ida e volta de um militar português que cumpriu uma “comissão de serviço” no então Ultramar. As ementas do Vera Cruz referem a sucessão de almoços e jantares que vai de 25 de Julho a 9 de Agosto de 1968. No Jantar de Despedida, de 7 de Agosto, está escrito à mão que a chegada a Lourenço Marques se deu no dia seguinte. No verso de um dos cartões, apontamentos de uma partida de King…

Quanto ao Niassa, há mais pormenores: o Capitão de Bandeira (militar que co-comandava o navio fretado pelo Exército), Capitão-Tenente Manuel Jorge Marques Freire Bandeira Duarte (falecido em 2017, no posto de Comandante de Mar e Guerra), e o Comandante do N/M “Niassa”, José Henrique Gomes Vilão (filho de um embarcadiço de Ílhavo, da campanha do bacalhau) e seus Oficiais, ofereceram no Sábado, 12 de Setembro de 1970, um jantar de despedida “às Forças Militares que regressam à Metrópole”. Dois meses depois, quando se preparava para mais uma viagem de transporte de tropas, o Niassa foi um dos alvos dos explosivos da ARA – Acção Revolucionária Armada.

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