O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou, esta segunda-feira, em entrevista à TVI, que "dificilmente" irá concordar com a solução do Governo para a TAP, prevendo que passe por um empréstimo obrigacionista em que o Estado só "passa a mandar" se a empresa não pagar. Rui Rio não excluiu nenhum cenário para a companhia de aviação de bandeira, até a insolvência, defendendo que tem de ser feito um plano de negócios que avalie a viabilidade da TAP e que esta não vai ser "um buraco" para sorver dinheiro público.

Aquilo que eu prevejo que vai acontecer dificilmente eu estarei de acordo: o que prevejo é que vai haver um empréstimo de cariz obrigacionista em que, se a TAP não pagar, o empréstimo transforma-se em ações e o Estado fica com 60, 70 ou 80%, aí o Estado só passa a mandar se a empresa estiver tão mal que nem aquilo paga", apontou.

Na opinião do líder do PSD, a solução deveria passar por um "aumento do capital social", em que, se os privados não conseguissem acompanhar o investimento do Estado, este passaria a ser maioritário.

Se não acompanham a capitalização, então é o Estado que tem, naturalmente, de gerir a TAP", defendeu.

No entanto, Rio recusou que tal se trate de uma nacionalização, já que defende "à primeira oportunidade" o Estado deveria vender toda a sua participação na empresa a privados.

Questionado se exclui um cenário de insolvência na TAP, Rio admitiu essa possibilidade: "Se perante um plano de negócios for evidente que não se consegue salvar a TAP?".

Só admitia valores dessa natureza [1200 milhões de euros], se o plano de negócios me desse esperança de efetivamente viabilizar a TAP e entrasse na proporção exata de molde a que ficasse com o capital social correspondente", disse.

Na entrevista no Jornal das 8 da TVI, Rui Rio lançou duras críticas à gestão da TAP e considerou que o Governo “fez um erro enorme quando há cinco anos voltou atrás com a privatização”.

Podia discordar dela, mas uma vez que estava feita, mais valia não mexer. Foi mexer e não a conseguiu trazer para o Estado e fez o pior das duas situações: não é privado nem é público. O Estado tem lá 50% e manda zero. Mesmo nisto das rotas, o Conselho de Administração estava contra, a Comissão Executiva desenhou aquilo e é a Comissão Executiva é que tem poderes para desenhar as rotas. O Conselho de Administração nem aí consegue, a não ser por pressão política, como entretanto foi feito”, criticou o líder do PSD.

"Se o Estado tem 50% é para haver política pública", resumiu.

Plano de Estabilização do PSD "tem uma estratégia" e o do Governo não

Sobre as diferenças entre o plano do PSD e o Programa de Estabilização Económica e Social, o líder da oposição salienta que o plano do seu partido "tem uma estratégia implícita e bem explicada", ao passo que o Governo tem "uma série de medidas compiladas num documento":

Dentro do programa, "as medidas mais importantes não são as da área social. Não conseguimos atingir os objetivos sociais sem uma economia robusta".

A estratégia do PSD para enfrentar a crise pandémica passa por garantir mais investimento nas e fomentar as exportações nas empresas. Rio avança ainda aquela que é, a título pessoal, a medida mais importante na economia: o apoio à aquisição e fusão das pequenas e médias empresas.

Temos um conjunto alargado de empresas que podem fechar. Caia muito ou pouco o PIB, é fundamental incentivar fiscalmente estas empresas", justifica.

O foco de Rui Rio nas exportações é justificado por uma economia global que "é tão aberta que se nós aquecemos a economia não pela via do crescimento das exportações, mas pelo consumo interno, vamos gerar um desequilíbrio na balança de pagamentos".

"Ainda ficamos racistas com tantas manifestações"

Rui Rio defendeu que os ajuntamentos registados nos espectáculos no Campo Pequeno e as manifestações contra o racismo em Lisboa e no Porto “não fazem sentido e não têm coerência nenhuma”.

Comparei as fotografias do espetáculo do Bruno Nogueira no Campo Pequeno e de um espetáculo na Casa da Música e há uma grande diferença. A separação (no Porto) é muito maior”, disse, sublinhando que tudo tem limitações, mas de repente é possível celebrar o 1.º de Maio e realizar manifestações contra o racismo.

Sobre as manifestações que juntaram milhares de pessoas no Porto e em Lisboa, o líder do PSD afirma que ainda entende as demonstrações nos Estados Unidos, “mas em Portugal a que propósito?”.

Ainda ficamos racistas com tantas manifestações", diz Rui Rio, sublinhando que se fosse primeiro-ministro não teria autorizado a manifestação.

Em nota final, o líder do PSD defendeu que a ajuda comunitária que chegará a Portugal deve ter uma clara prioridade: as ferrovias.