Rui Rio desmentiu esta segunda-feira qualquer acordo nacional com o Chega. O líder do PSD refere que o acordo entre os partidos restringe-se a nível regional, nos Açores.

Não há nenhum acordo nacional com o Chega", começou por referir Rui Rio.

O líder do PSD vai mais longe e atira que António Costa "sabe que está a mentir, porque já foi dito claramente que não há nenhum acordo nacional nem com o Chega, nem com a Iniciativa Liberal, nem com o PPM, nem sequer com o CDS".

A Comissão Permanente do PSD já tinha insistido esta segunda-feira que não existe qualquer acordo nacional com este ou outros partidos e defendeu que as propostas do Chega para viabilizar o novo Governo Regional do Açores “em nada ferem a matriz social-democrata”.

O PS venceu as eleições legislativas regionais, no dia 25 de outubro, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo 25 deputados.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representavam 26 deputados, anunciaram esta semana um acordo de governação, tendo alcançado acordos de incidência parlamentar com o Chega e o Iniciativa Liberal (IL).

Chega moderou-se nos Açores

O presidente do PSD afirmou concordar com os quatro objetivos do Chega para viabilizar o governo nos Açores, considerando que aquele partido "se moderou" na região, e acusou PS e BE de andarem de "cabeça perdida".

No futuro, no continente, já tive oportunidade de dizer isto e deu origem a não sei quantos incêndios políticos. Se o Chega se moderar pode haver hipóteses naturalmente de diálogo. Se o Chega não se moderar não há hipótese de diálogo. Nos Açores moderou-se”, assegurou o presidente do PSD.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma reunião por videoconferência com a Confederação Empresarial de Portugal – CIP, Rui Rio disse concordar com os quatro objetivos que o Chega defendeu para viabilizar o novo Governo Regional.

Fazer uma proposta de redução dos deputados regionais. Isto é fascista? É de extrema direita? É uma proposta fascista querer baixar o número de pessoas com o rendimento mínimo nacional garantido e terem emprego e rendimento? Isto é fascista? Criar um gabinete de luta contra a corrupção. É fascista lutar contra a corrupção? Reforçar a autonomia dos Açores”, interrogou o líder dos sociais-democratas.

“São estes quatro pontos que decidiram lá regionalmente. Não fui eu que decidi, mas se quiser que diga com toda a frontalidade, sou a favor da redução dos deputados regionais, sou a favor do aumento do emprego e da baixa do rendimento mínimo garantido e sou a favor da luta contra a corrupção”, salientou.

Questionado pelos jornalistas se o partido tinha, ao aceitar negociar com o Chega uma solução política, “passado a linha vermelha”, Rui Rio negou.

“O PSD passou a linha vermelha de querer baixar os deputados regionais, de querer baixar o número de pessoas desempregadas e de combater a corrupção. Foi essa a linha vermelha que o PSD passou”, disse, deixando críticas ao primeiro-ministro, Partido Socialista e Bloco de Esquerda.

O dr. António Costa, o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda estão efetivamente de cabeça perdida e estão claramente a mentir aos portugueses”, referiu, acrescentando que os mesmos “não tem tido noção do ridículo que estão a dizer”.

“Não fui eu, nem o PSD nacional que negociou o que quer que seja com o Chega”, reforçou.

Rafaela Laja / com Lusa