O deputado do PSD/Madeira Brício Araújo considerou esta terça-feira que estão criadas as condições para a região e os Açores formarem uma "frente comum de autonomia", após o social-democrata José Manuel Bolieiro ter sido indigitado presidente do executivo açoriano.

A decisão do representante dos Açores é uma palavra de esperança para o aprofundamento das autonomias”, que podem agora “caminhar juntas numa frente de autonomia”, declarou o deputado social-democrata, numa intervenção no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal.

O deputado reforçou que “apesar das diferenças” e especificidades da Madeira e Açores, agora existe “um caminho para a convergência”.

O líder do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, foi indigitado no sábado presidente do Governo Regional pelo representante da República para os Açores, Pedro Catarino.

O PS venceu as eleições legislativas regionais, em 25 de outubro, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo 25 deputados.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representavam 26 deputados, anunciaram esta semana um acordo de governação, tendo alcançado acordos de incidência parlamentar com o Chega e o Iniciativa Liberal (IL).

Com o apoio dos dois deputados do Chega e do deputado único do IL, a coligação de direita soma 29 deputados na Assembleia Legislativa dos Açores, um número suficiente para atingir a maioria absoluta.

Para Brício Araújo, o atual contexto político regional nos Açores constitui um “enorme desafio para o país, para compreender a importância das autonomias sem resquícios e complexos imperiais”.

Sem querer discutir os resultados eleitorais nos Açores, é de estranhar a reação do primeiro-ministro”, o socialista António Costa, que “depois de ter perdido as eleições em 2015 chegou ao poder através de uma situação mais opaca”, afirmou.

O parlamentar social-democrata madeirense recordou que, nessa altura, António Costa destacou que a “oposição fora capaz” de encontrar uma solução governativa substituir o PSD, liderado por Pedro Passos Coelho, que juntamente com o CDS formou uma coligação, a força política mais votada nas legislativas desse ano, declarando que “acabou o tabu” e “venceu-se mais um preconceito”.

Também se falou na Madeira em coligação negativa” nas legislativas regionais, lembrou, apontando que uma solução governativa de coligação afastou o partido mais votado em 2015.

 

Serviu e agora já não serve para os Açores?”, questionou Brício Araújo.

A deputada do PS/Madeira Elisa Seixas afirmou que a coligação formada nos Açores (PSD/CDS/PPM com o apoio parlamentar de Chega e IL) foi um processo “todo decidido entre o líder nacional do PSD, Rui Rio, e André Ventura, do Chega” em que “valeu tudo pelo poder”.

A parlamentar sublinhou que esta coligação governativa nos Açores integra o Chega, “um partido de extrema-direita, racista, xenófobo e sexista”.

Os deputados também discutiram três votos de congratulação apresentados pelo PSD, CDS e PS pelo facto de a Madeira ter sido eleita este ano, pela sétima vez, como ‘Melhor Destino Insular da Europa”.

As propostas em discussão no parlamento da Madeira serão votadas na quarta-feira.

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