O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, subscreveu hoje o discurso do Presidente da República nas comemorações do 10 de Junho, em Portalegre, defendendo que os políticos devem ser mais “ousados” na defesa dos interesses dos portugueses.

Eu vejo estas palavras do senhor Presidente da República como um discurso de mobilização dos portugueses, chamar os portugueses à vida de cidadão e à vida política, chamar os portugueses à construção de Portugal”, disse.

O líder parlamentar do PSD, que falava aos jornalistas em Portalegre após o encerramento do desfile militar inserido nas comemorações do Dia de Portugal, viu ainda no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa “uma nota” aos políticos para que sejam “mais ousados” na defesa dos interesses do país.

E, obviamente que, nas palavras do senhor presidente, também há uma nota dizendo que aqueles que são responsáveis, designadamente os políticos, têm responsabilidades que não devem exercer com tanta limitação, devem ir mais longe, ser mais ousados, sendo mais ousados na defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses”, acrescentou.

Questionado sobre o papel dos políticos em relação ao Interior do país, tema que marcou também o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, Fernando Negrão considerou tratar-se de um “problema central” da vida política portuguesa.

Esse é um problema central da política portuguesa nos últimos anos. Aquilo que tem acontecido no Interior do país é o reflexo de que o Interior do país tem sido abandonado. Nós temos feito esforços no sentido de criar políticas para o Interior do país, de pedir mais atenção para o Interior do país”, recordou.

Para Fernando Negrão, “bastou” a presença do Presidente da República em Portalegre para dar “esse sinal de preocupação” em relação ao Interior.

É preciso criar políticas para o Interior, é preciso maior preocupação com o Interior e é preciso acabar com esta diferença, este fosso que existe entre o Litoral e o Interior. Não é fácil, mas precisamos de estar todos mobilizados nesse sentido, e foi isso, mais uma vez, que o senhor Presidente da República quis dizer”, disse.

Fernando Negrão considerou ainda que Marcelo Rebelo de Sousa quis, durante a sua passagem por Portalegre, “cortar” o “pessimismo” com que as pessoas vivem nas regiões do Interior, nomeadamente naquela região alentejana, sublinhando que o 10 de Junho “não é só hoje” que deve ser vivido e assinalado.

O senhor Presidente da República foi isso que quis dizer mesmo [acabar com o pessimismo das pessoas que residem no interior], quis cortar esse pessimismo, e dizer não é só hoje, eu estou constantemente no Interior, eu, Presidente da República. E nós sabemos que é assim, tem de ser assim, os políticos têm de seguir esse exemplo”, defendeu.

Nesse sentido, o líder parlamentar do PSD afirmou que subscreve a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa no Dia de Portugal.

Subscrevemos por completo as palavras do senhor presidente, porque esta é uma ideia do presidente desde o início do seu mandato, esta é uma ideia do PSD de sempre, relativamente ao interior”, disse.

Carlos César: discurso foi "mobilizador"

O presidente do PS, Carlos César, considerou hoje “especialmente mobilizador” o discurso do Presidente da República e defendeu que o Estado deve “ser capaz de responder a fenómenos como a emergência da corrupção” ou “abuso de poder”.

O discurso do Presidente da República é especialmente mobilizador no que toca àquilo que há de bom no nosso país e também é especialmente mobilizador para aqueles que acham que o nosso país precisa de melhorar”, afirmou o líder parlamentar socialista, Carlos César.

Segundo o presidente do grupo parlamentar do PS, é “muito importante, neste Dia de Portugal”, existir a “consciência do valor” que o país tem e do que o “prestigia no exterior” e “tem corrido bem”.

Daquilo que tem gerado confiança no nosso próprio país, com os cidadãos, com os investidores”, mas, ao mesmo tempo, também é necessário ter consciência daquilo “que tem corrido menos bem”, afirmou.

Para Carlos César, “felizmente, para fenómenos como a corrupção, só a democracia lhes dá resposta, porque em ditadura eles não são reconhecidos e, muitas vezes, nem sequer conhecidos”.

Carlos César defendeu que é “numa melhoria da situação social e económica” do país e “das expectativas das famílias e das pessoas que todos” se devem empenhar em Portugal.

Desde logo cumprindo aquilo com que nos comprometemos quando, a diversos títulos, os políticos se candidatam para o exercício do poder. É muito importante que a melhoria da confiança dos portugueses nos seus eleitos ocorra”, sustentou.

E, para que tal aconteça, “é também muito importante” que os políticos “melhorem a satisfação dos seus compromissos”, acrescentou.

O Estado, salientou Carlos César, deve também ser “capaz de responder a fenómenos como a emergência da corrupção, a manifestações de abuso de poder ou as falhas que os próprios serviços públicos também ainda têm”.

Insistindo que “estão a acontecer muitas coisas boas” em Portugal, que se destaca hoje, no conjunto da União Europeia, “pela melhoria do crescimento económico e do rendimento disponível das famílias”, Carlos César lembrou que o país viveu “um período prolongado de desinvestimento nos serviços públicos” e “no Estado”, pelo que, “agora é preciso reinvestir com mais capacidade, com mais força e com melhores resultados”.

Em todo o caso, eu creio que nós vivemos num país que confia na sua democracia e, se todos esses defeitos e essas insuficiências são conhecidas, é porque vivemos em democracia e não em ditadura”.