Há muito poucas fotografias da resistência à ditadura do Estado Novo. Muito do que se passava era clandestino e não era para mostrar e fotografar. Era, em si mesma, uma actividade perigosa. Há duas excepções e ambas muito poderosas na sua eficácia como propaganda: o comício de Norton de Matos  em 1949, e a chegada de Humberto Delgado à Estação de S. Bento, em 1958. Em ambos os casos, no Porto. As imagens das multidões eram muito incómodas para o regime e, por isso, os fotógrafos foram perseguidos e as fotografias, sempre que possível, apreendidas pela PIDE.

O regime era também capaz de juntar multidões, como aconteceu no "agradecimento" a Salazar por ter evitado a entrada de Portugal na II Guerra, mas toda a gente sabia que as multidões eram arregimentadas, por exemplo, pelos Sindicatos Nacionais. E o que dava valor às multidões do Porto era o risco, - as pessoas corriam riscos para lá estarem.   Por isso, a oposição usou as imagens à exaustão, e podia contrapô-las, como neste panfleto, com a escassez de pessoas que foram saudar Américo Tomás, um ano depois das eleições. A guerra das imagens foi aqui vencida ... pelos portuenses que não deixaram os seus créditos por mãos alheias.

Veja aqui o programa Ephemera da TVI24

A TVI24 associa-se à biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira, publicando todos os dias uma imagem inédita dos fundos do arquivo, que estão a ser tratados mas ainda não foram publicados. Essa imagem, que pode ser uma fotografia, um panfleto, um documento, a capa de um livro, um objecto, um autocolante, um pin, um cartaz, um vídeo ou uma gravação será acompanhada por um pequeno texto que complementa a informação do EPHEMERA DIÁRIO. 

Quem possa ter mais documentação ou informações sobre a imagem/tema em causa pode enviar para jppereira@gmail.com ou jrreis@tvi.pt.

Pacheco Pereira