Fernando Medina enviou uma carta esta terça-feira à presidência da Assembleia Municipal de Lisboa a comunicar a sua renúncia ao cargo de vereador no próximo executivo camarário.

Foi uma resolução ponderada, escutando e ouvindo a opinião de várias pessoas ao longo da última semana, mas no fim foi o que teria de ser sempre. Uma decisão individual", escreveu o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa numa carta a que a TVI24 teve acesso.

Medina, que perdeu o cargo nas últimas eleições autárquicas para o antigo Comissário Europeu Carlos Moedas, sublinhou que não precisa de exercer qualquer cargo para continuar civicamente ativo e atento ao desenvolvimento de Lisboa que, reitera, hoje tem "uma sólida situação económica financeira e um vasto conjunto de projetos em curso.

Fui vereador responsável pelas Finanças dois anos e presidente da autarquia durante seis. O quadro político que saiu das eleições é distinto do que vivemos nesse período.  Julgo que é esta a solução que melhor serve os interesses da cidade, o funcionamento das reuniões do executivo da autarquia e a capacidade de a oposição camarária se concentrar no futuro e não no passado", afirma o autarca cessante.

Na carta, Medina vai mais fundo e explica que, ao contrário do Governo, onde só fazem parte do executivo membros nomeados pelo primeiro-ministro, "a oposição nas autarquias integra o executivo".

"A minha saída da Câmara Municipal facilita a vida aos futuros órgãos da autarquia, reduzindo o nível de pessoalização do debate e concentrando a discussão política na procura de soluções para os desafios do futuro", aponta, avançando que não deixará de ter uma profunda ligação à cidade.

Nas eleições de 26 de setembro, Carlos Moedas foi a grande surpresa. O candidato pela coligação “Novos Tempos" ganhou a Câmara Municipal de Lisboa com mais de 34,25 % dos votos. 

Com todas as freguesias apuradas, Fernando Medina surgiu em segundo lugar com pouco mais de 33,3 %, seguindo-se a CDU com 10,52 %, o Bloco de Esquerda com 6,21 %, como quinta força política surgiu ainda o Chega com 4,41 %, à frende da Iniciativa Liberal com 4,23 %.

CDU e Bloco de Esquerda acabaram por conseguir igualar os resultados de 2017, com os comunistas a alcançarem dois vereadores e os bloquistas um.