A ministra da Saúde, Marta Temido, sublinhou esta terça-feira a importância do desenvolvimento da situação epidemiológica durante os próximos dias para a decisão das medidas de desconfinamento, admitindo mesmo que Portugal já teve "uma situação mais favorável", à saída da reunião do Infarmed.

Estes dias são decisivos para que se possa tomar decisões na quinta-feira”, momento em que o Governo deverá anunciar as próximas medidas de desconfinamento. A ministra deixa assim a porta aberta a “atrasos ou avanços” no processo de desconfinamento.

Apesar de tudo, a governante reforça a necessidade de garantir o equilíbrio e avançar com o processo de vacinação, de forma a "ganhar tempo".

Destacou também o facto de Portugal estar perante um aumento do R(t) superior a 1, no entanto, sublinha que a incidência se mantém “moderada”, que oscila entre os 68,4 em Portugal continental e os 71,5 no território nacional como um todo.

 Os peritos estimam que, num período de duas a quatro semana, estejamos a atingir uma incidência de 120 casos por 100 mil habitantes. E, no período de um a dois meses, uma incidência de 240 casos por cada 100 mil habitantes”, afirmou a ministra.

Marta Temido referiu ainda o facto de 22 conselhos terem uma incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes, ou seja, 6,5% da população do território continental.

Sobre a vacinação, Marta Temido explicou que, assim que estiverem vacinadas as pessoas com mais de 60 anos, “teremos a capacidade de atuar e atingir um número que representaria cerca de 96% dos casos fatais de infeção”.

A ministra da Saúde recorda ainda o aumento do número de casos em crianças até aos nove anos e a diminuição nas pessoas com mais de 80 e o facto de a vacinação ter, segundo os cálculos apresentados por Baltazar Nunes, ter evitado 140 mortes.

As escolas são o aspecto social que mais queremos proteger", afirmou a ministra. Marta Temido relembrou que existiram "menos de 200 casos em mais de 200 mil testes realizados à comunidade de alunos" e "cerca de 180 casos" em igual número de testes realizados a docentes e não docentes.

Ministra diz que é prematuro falar de pausa na vacina da Janssen

A ministra da Saúde, Marta Temido, considerou ser ainda muito cedo para comentar a recomendação hoje emitida pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos para uma pausa na administração da vacina contra a covid-19 da Janssen.

Recebemos essa notícia enquanto decorria a reunião. Neste momento é prematuro falar. Essa vacina não foi ainda iniciada no território da União Europeia, estamos a receber as primeiras doses esta semana. Os efeitos adversos estão descritos, mas no balanço risco-benefício continuamos a saber que a vacina é a nossa melhor arma para sairmos desta doença”, explicou a governante.

Em declarações aos jornalistas após a reunião no Infarmed, em Lisboa, que juntou especialistas, membros do Governo e o Presidente da República para a avaliação da situação epidemiológica do país, Marta Temido reiterou a sua “confiança nas vacinas e naquilo que é o papel das autoridades” para levar a bom porto o combate à pandemia.

[Pode haver] confiança nas autoridades reguladoras, sejam elas europeias ou outras autoridades, para continuarem a identificar eventuais reações adversas, para explicar com transparência, e para prosseguirmos naquilo que são os nossos planos de vacinação”, continuou.

O Centro para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) e a Food and Drug Administration (entidade reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos) avançaram, numa declaração conjunta, estar a investigar coágulos sanguíneos detetados em seis mulheres nos dias a seguir a terem tomado a vacina (de toma única) desta farmacêutica, em combinação com contagens de plaquetas reduzidas.

O Comité Consultivo sobre Práticas de Imunização do CDC vai reunir-se na quarta-feira para discutir os casos e o FDA também lançou uma investigação. Mais de 6,8 milhões de doses da vacina Johnson & Johnson (J&J) foram já administradas nos Estados Unidos.

As primeiras 30 mil doses da vacina desta farmacêutica chegam a Portugal esta semana, sendo esperado que o país receba, ainda durante o segundo trimestre deste ano, 1,25 milhões de doses, do total de 4,5 milhões de doses que o país deverá ter disponíveis ao longo de 2021.

A Comissão Europeia acordou a compra de 200 milhões de doses este ano, com uma opção mais 200 milhões de doses, tendo a farmacêutica Janssen, do grupo Johnson & Johnson, começado a fazer as entregas na segunda-feira.

Em Portugal, morreram 16.918 pessoas dos 827.765 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.