A diretora da cadeia de Paços de Ferreira - alvo de uma rusga na passada madrugada, após a transmissão nas redes sociais de festas organizadas por reclusos - demitiu-se esta sexta-feira, conforme anunciou oficialmente o gabinete da ministra Francisca Van Dunem.

Na sequência dos acontecimentos dos últimos dias, verificados no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira e numa manifestação de dignidade, de respeito pelos Serviços e de defesa do interesse público, apresentou ao Senhor Diretor Geral de Reinserção e Serviços Prisionais o pedido de demissão do lugar de Diretora daquele equipamento prisional", informa um comunicado do Ministério da Justiça.

O Ministério de Francisca Van Dunem acrescenta ainda que "o pedido de demissão foi aceite, tendo sido já formulada uma proposta para a sua substituição", sem adiantar quem deverá ocupar o lugar de diretor do estabelecimento prisional de Paços de Ferreira.

Rusga na cadeia

Após a ocorrência de festas feitas por reclusos, transmitidas através da internet, na madrugada passada, uma rusga levada a cabo por mais de cem guardas prisionais apreendeu telemóveis, droga e até luvas de luta na posse os reclusos.

Em comunicado, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais detalhou que da busca resultou a apreensão de 79 telemóveis (proibidos em ambiente prisional), 20 ampolas de anabolizantes, oito seringas, uma balança de precisão, um passaporte, dois pares de luvas de luta.

Também apreendidos foram um alambique artesanal, dois baldes de fruta fermentada, centenas de comprimidos, 45 maços de tabaco, seis caixas de tabaco avulso, 98 gramas de haxixe, 20 gramas de heroína e um grama de cocaína.

Festas de reclusos

A cadeia de Paços de Ferreira esteve em foco, entre outras situações, devido à ocorrência de festas feitas pelos presos. O caso mais gritante ocorreu no passado fim de semana, quando o aniversário de um recluso foi festejado no interior da cadeia e transmitido via Facebook.

A diretora demissionária foi chamada ao Parlamento na passada quarta-feira, mas escusou-se a comentar a situação, alegando que a festa de reclusos naquele estabelecimento estava sob investigação.

Isso agora está a ser investigado. Acho que vai ser uma investigação rápida", afirmou então Maria Fernanda Barbosa, em resposta a perguntas de deputados no âmbito da audição realizada na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.